Salve 2017 – ainda quase sem uso

Wow!  Estive fora do ar há um tempão!  Minha última postagem aqui no blog aconteceu no dia 30 de Novembro do ano passado, com a segunda parte do artigo sobre o uso de números aleatórios.
Dezembro foi um mês em que circunstancialmente estive bastante ocupado com o final do ano letivo e Janeiro foi um mês para desenvolver o “ócio criativo” durante as férias.

by Eliseeva Ekaterina in www.freeimages.com

Aproveitei para fotografar um pouco, para praticar um pouco de marcenaria, enfim deixar de respirar a poeira de armazém por um período.

E agora estamos de volta. Que todos vocês tenham um excelente 2017 com muitos novos desafios, mas também com muito riso e muitos novos amigos.

Nesta primeira postagem do ano quero falar um pouco sobre a formação complementar, aproveitando a pergunta que me foi feita por um aluno recentemente.

Pessoal:  Antes de sair gastando o suado dinheirão em MBAs e outras especializações com títulos cheios de charme e matrizes curriculares chamativas, e promessas de sucesso parecidas com as de propagandas de cigarro dos anos 1970, pensem um pouco no que realmente querem de suas carreiras.  Tenham calma para decidir a continuidade de suas vidas acadêmicas.

Analisem o que os programas estão lhes oferecendo e suas cargas horárias.  Recentemente eu vi um desses programas oferecendo quase 70 tópicos em sua matriz curricular a ser cumprida em cerca de 400 horas.  Na boa?  Especialização em que?
Muitos dos tópicos oferecidos pelos cursos que pesquisei oferecem o mesmo conteúdo ou muito pouco além do que foi aprendido, ou deveria ter sido, durante a graduação, a um custo altíssimo, sem contar o sacrifício pessoal e o tempo que será consumido.

Pensem também no seguinte: Por que vocês querem uma formação complementar? Se é porque não conseguiram obter o conhecimento necessário durante a graduação, então esse é o motivo errado.
Se querem alavancar os seus salários, procurem saber se, de fato, os cursos que pretendem serão capazes de oferecer isso.  E nesse ponto é muito importante analisar o renome da escola no mercado.

Talvez o melhor seja obter uma formação complementar em uma área afim (um conhecimento paralelo à sua formação principal), ao invés de manter a mesma linha formativa, mas de novo isso depende do rumo que se pretenda dar à carreira.

Não serei leviano a ponto de detonar todos os cursos que existem por aí como caça-níqueis. Mas que eles existem, existem!  Cuidado!

Portanto pessoal, escolham com critério.  E continuem adquirindo conhecimento de todas as fontes possíveis.  No mundo atual, com todas as facilidades trazidas pela internet, só não aprende uma coisa nova por dia quem realmente não quer.  Há cursos excelentes disponíveis gratuitamente.
Ah! Mas são em inglês!   De fato isso não é verdade, há muita coisa em português. Mas daí eu pergunto: Que diabos você fez até agora que ainda não aprendeu inglês???  Está esperando o que?

E para os que ainda não terminaram suas graduações, dediquem-se a ela como se fosse a última chance de aprender algo. Sabe aqueles canudos que vocês recebem na colação de grau?  Vou contar um segredo: Não tem nada dentro.  O único conhecimento que vocês levarão das suas graduações é aquele que ficou guardado no espaço entre a orelha esquerda e a orelha direita.

Façam o seguinte teste. Fechem os olhos, tapem o nariz e dêem um ligeiro “crock” na testa. Se o barulho fizer eco, então moçada eu lamento mas não lhes desejarei um bom 2017.

Água engarrafada ou água de torneira? Como a sua escolha impacta o planeta?

photo: freeimages.com by Andrew Beierle
Em 20 de Outubro, o New York Times publicou um artigo de Tatiana Schlossberg,  intitulado “Bottledwater ou tap: How much does your choice matter?” que instiga os leitores a responder um questionário sobre o impacto ambiental decorrente da escolha entre beber água engarrafada ou água de torneira e comenta sobre as respostas dadas pelos leitores.
Esse é um assunto que embora pareça se referir à Engenharia ambiental, tem muito a ver com logística e cadeia de suprimentos, uma vez que estamos sistemicamente envolvidos com tudo isso e, também porque é nossa responsabilidade pessoal e profissional contribuir para a sustentabilidade da cadeia de suprimentos. E ainda pelo aspecto da logística reversa que é matéria de nossa preocupação.
Alguns dados dos comentários feitos pela articulista são estarrecedores:

Consumo desproporcional de energia

A Água engarrafada custa até 2.000 vezes mais energia do que a necessária para disponibilizar a mesma quantidade de água potável na rede pública, dependendo do local em que o processamento é feito.  Tatiana alerta que embora ainda existam lugares em que a água da rede pública não seja segura, mesmo as águas engarrafadas podem não estar livre de poluentes, o que agrava a questão.
Considere o gasto desproporcional de energia motivado pelo hábito do consumo de água engarrafada. Nos EUA, que tem uma população em torno de 320 milhões de habitantes, o consumo do produto foi de 49 bilhões de garrafas no último ano.
Além disso, o que fazer com as garrafas?  Em 1950 o consumo global de garrafas plásticas era de 5,5 milhões de toneladas. Em 2009 esse consumo subiu para 100 milhões de toneladas.  Imagine o impacto disso.
Isso sem contar as embalagens plásticas de refrigerantes que, no mesmo período, teve média de 62 garrafas por habitante. 

Para onde vão as embalagens plásticas?

Nos EUA, cerca de 1/3 das garrafas são recicladas mas essa figura cai para apenas 14% no total de embalagens plásticas. Apesar do uso de energia necessário para a reciclagem, a emissão de gases estufa é menor do que o provocado pelos outros 14% que são incinerados,  ou dos 40% que vão para aterros sanitários, com tempo de deterioração ainda não completamente conhecidos mas bastante longos, ao longo do qual emitem gases de efeito estufa e poluentes.
E para onde você pensa que vão os outros 32%?  Se você pensou, para os oceanos, você acertou.  
A maioria dos poluidores marítimos está no sudeste asiático e respondem por 50% do lixo flutuante, mas quem já passou pela Baia da Guanabara sabe bem o tamanho da encrenca.
Globalmente, isso dá algo entre 5 milhões e 13 milhões de toneladas anuais  Apenas 1% disso oferece condições de retirada. O restante vai para o fundo ou é engolido por animais, com severos danos à fauna, ou ainda acaba congelado nas calotas polares.
E mesmo se colonizados por microrganismos durante o processo de decomposição, ainda assim o material plástico é agressivo porque emite substâncias tóxicas que poluem as águas oceânicas.

Esses não são os únicos impactos observados:

Citou-se o consumo de refrigerantes em garrafas plásticas. Essa quantidade, somada à  do refrigerante consumido a partir de latas ou garrafas de vidro, faz com que o consumo médio nos EUA suba para cerca de 100 litros anuais por habitante.  Segundo a Associação Médica Americana, essa é uma das causas da crescente obesidade da população.
E cidadãos obesos gastam mais energia na alimentação, no transporte, e com ar condicionado, agravando sistemicamente o clima.
Além de beber menos refrigerante e menos água engarrafada, que outras ações você poderia tomar para reduzir o impacto ambiental do consumo de plásticos?

Qual seria o impacto logístico das mudanças possíveis nessa área?
Como resolver o nó da logística reversa no caso das embalagens plásticas.

Feliz dia dos pais

A postagem desta semana é uma singela homenagem aos pais logísticos, dos mais simples auxiliares de movimentação, aos motoristas, pilotos, aeroviários, marinheiros, analistas e planejadores, aos altos executivos que planejam os mais complexos fluxos de bens e informações ao longo da cadeia de suprimentos.

Que a pressão do dia a dia, que os prazos curtos, as incertezas da demanda, as diferenças de estoque, as estradas ruins e a burocracia, não lhes tirem o sono e lhes permitam ter o tempo adequado para a convivência com seus filhos e para apreciar toda a alegria de suas descobertas.

Feliz dia dos pais!

photo by Simona Belint – freeimages.com

20 perguntas em uma entrevista de emprego. Você está preparado?

É comum que eu receba pedidos de conselhos sobre que armadilhas poderão estar ocultas nas perguntas feitas em uma entrevista de emprego.

A minha resposta é sempre: “Se você estiver preparado, você saberá que tipo de resposta o entrevistador espera de você. Desse modo, antes de mais nada, seja você mesmo”.

Quanto mais um candidato pretende “encarnar” um personagem, mais vulnerável ele se torna, visto que um entrevistador bem treinado poderá detectar os sinais que o seu corpo fornece involuntariamente, e mesmo as microexpressões, que contradizem mesmo a mentira mais bem contada.

Entretanto, sempre é bom estar preparado para perguntas desconcertantes, que aparentemente não tem nenhum ponto de contato com o tema da entrevista, mas que servirão para medir a sua flexibilidade, ou o modo como você encara reveses e imprevistos.

Você está preparado para responder questões como:

1. O que você come no café da manhã?
2. Qual era o seu apelido no colégio?
3. Qual foi seu primeiro trabalho?
4. Com que freqüência você se exercita?
5. Quem é (ou foi) seu mentor?
6. Quantas horas diárias você se dedica à leitura?
7. O que motiva você?  (pode ser profissionalmente ou pessoalmente)
8. O que é mais importante para você: A idéia ou a execução?
9. Qual foi o pior dia da sua vida?
10. Você reza (ou ora)?
11. Qual foi o seu maior engano?
12. De que você não poderia viver sem…?
13. Qual o seu jeito preferido de relaxar?
14. Qual a característica que você mais admira em seu chefe atual (ou ex chefe)?
15. O que é o sucesso pra você?
16. Qual foi o melhor conselho que você já ouviu?
17. Você acha importante fazer um curso de especialização e mestrado?
18. Se você pudesse ter qualquer outra profissão, o que gostaria de ser?
19. Do que você menos gosta no seu emprego atual (ou no seu último emprego)?
20. Se você pudesse ser alguém famoso, quem você gostaria de ser?
Pense bem!  Reflita sobre suas respostas!  Se você estivesse buscando um colaborador, que lhe desse as suas respostas, você o contrataria?

MENSAGEM à GARCIA

Hoje resolvi postar um clássico da literatura corporativa. “Mensagem à Garcia”. Creio que a maioria já teve oportunidade de ler ou pelo menos ouviu falar desse texto.
A quem não o conhece, peço que gaste algum tempo para lê-lo.
É de Fevereiro de 1899 e foi escrito por Helbert Hubbard, então editor de uma revista chamada Philistine. Apesar da idade, é de uma atualidade absoluta nestes tempos de empreendedorismo.

Em 1913, o autor contou que escreveu aquilo que chamou de “insignificância literária” em apenas uma hora, motivado por uma conversa que teve com o filho sobre um herói da guerra Hispano Americana, que havia sido iniciada no ano anterior (1898).

Após a primeira publicação em sua revista, despreocupadamente e até sem título, Hubbard disse ter ficado surpreendido pela repercussão que teve e pelos inúmeros pedidos para reimpressão. Por falta de condições para entregar as encomendas acabou autorizando a publicação por terceiros e o resultado foi talvez o primeiro texto de características virais de que se tem notícia, tendo sido traduzido e publicado em quase todos os idiomas do planeta (e isso sem internet!).

O ensaio relata a história de “um camarada de nome Rowan”, inspirado no tenente Andrew Summers Rowan, que heroicamente, contra todas as adversidades, entregou uma mensagem do presidente estadunidense McKinley ao general Calixto Garcia Íñiguez, líder das forças rebeldes cubanas.

MENSAGEM À GARCIA
Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte em seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer?

Alguém lembrou ao presidente: “Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan”.
Rowan foi trazido à presença do presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para, depois de três semanas surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregado a carta a Garcia, são coisas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente.

O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou a carta e nem sequer perguntou: “Onde é que ele está?”.

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze perene e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem de instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altivo no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

O general Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, tem sido poupado de momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la.

Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal-feito parecem ser a regra geral. Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem-sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo, a não ser que Deus onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz.

Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chame um deles e peça-lhe: “Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corregio”.

Dar-se-á o caso do empregado dizer calmamente: “Sim senhor” e executar o que lhe pediu?
Nada disso! Olhar-te-á perplexo e de soslaio para fazer uma ou mais das seguintes perguntas:

Quem é ele?
Que enciclopédia?
Onde é que está a enciclopédia?
Fui eu acaso contratado para fazer isso?
Não quer dizer Bismarck?
E se Carlos o fizesse?
Já morreu?
Precisa disso com urgência?
Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer?
Para que quer saber disso?

E aposto dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas, e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar “Korregio”, e depois voltará para te dizer que tal homem não existe.

Evidentemente, pode ser que eu perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa. Ora, se fores prudente, não te darás ao trabalho de explicar ao teu “ajudante” que Corregio se escreve com “C” e não com “K”, mas limitarás a dizer-lhe meigamente, esboçando o melhor sorriso: “Não faz mal; não se incomode”, e, dito isto, te levantarás e procurarás tu mesmo.

E esta incapacidade de atuar independentemente, esta inépcia moral, esta invalidez de vontade, esta atrofia de disposição de solicitamente se pôr em campo e agir – são as causas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro.

Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado do seu esforço for necessário para redundar em benefício de todos? Por enquanto parece que os homens ainda precisam ser feitorados. O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de, se não o fizer, ser despedido no fim do mês.

Anuncie precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar – e, o que é pior, pensam que não é necessário sabê-lo.

Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia?

“Vê aquele guarda-livros”, dizia-me o chefe de uma grande fábrica.
“Sim, que tem?”
“É um excelente guarda-livros. Contudo, se eu o mandasse transmitir um recado, talvez se desobrigasse da incumbência a contento, mas também podia muito bem ser que no caminho entrasse em duas ou três casas de bebidas, e que, quando chegasse ao seu destino, já não se recordasse da incumbência que lhe fora dada.”

Será possível confiar a um tal homem uma carta para entregá-la a Garcia?

Ultimamente temos ouvido muitas expressões sentimentais, externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados à cata de trabalho honesto, e tudo isto, quase sempre, entremeado de muita palavra dura para com os homens que estão no poder.

Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscienciosamente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que no entanto, muitas vezes nada mais faz do que “matar o tempo”, logo que ele volta as costas. Não há empresa que não esteja despedindo pessoal que se mostra incapaz de zelar pelos seus interesses, afim de substituí-lo por outro mais apto.

Este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente, em tempos adversos, com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. É a lei da sobrevivência do mais apto. Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores – aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.

Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que, ademais, se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido à suspeita insana que constantemente abriga de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimi-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: “Leve-a você mesmo”.

Hoje este homem perambula errante pelas ruas em busca de trabalho, em quase petição de miséria. No entanto, ninguém que o conheça se aventura em dar-lhe trabalho porque é a personificação do descontentamento e do espírito de réplica. Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única coisa capaz de nele produzir algum efeito seria um bom pontapé dado com a ponta da bota de número 42, sola grossa e bico largo.

Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz justamente daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.

Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; mas, quando todo mundo se apraz em divagações, quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de empecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros, e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo sua mera subsistência.
Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro, como também tenho sido patrão. Sei, portanto, que alguma coisa se pode dizer de ambos os lados.

Não há excelência na pobreza de per si; farrapos não servem de recomendação. Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.

Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer o patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranquilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário, este homem nunca fica “encostado”, nem tem que se declarar em greve para forçar um aumento de ordenado.

A civilização busca ansiosa, insistentemente, homens nestas condições. Tudo que um tal homem pedir, se lhe há de conceder. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: Precisa-se, e precisa-se com urgência, de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.

Elbert Hubbard

O ensaio merece de nós uma profunda reflexão. Quantas vezes, nós cidadãos, políticos, empresários, entidades, deixamos de entregar a nossa mensagem a Garcia?

Notas sobre o sucesso

Desde 1984, realiza-se nos Estados Unidos um evento chamado TED (de Tecnologia, Entretenimento, Design) que tem como missão espalhar idéias de valor entre os participantes.
Hoje em dia, é realizado em vários lugares do mundo e não se limita apenas às 3 áreas originais. No Brasil, o Ricardo Jordão da BizRevolution promoveu um evento semelhante em Março, que ele chamou de EPICENTRO.
O que está no link é um vídeo de 3 minutos em que Richard St. John, da empresa de marketing St. John group delineia o que ele chama de 8 passos para o sucesso. A palestra dele é um fantástico exemplo de concisão e é bastante inspiradora.

Entre outras coisas eu posso destacar:

  • O que tiver de fazer, faça com paixão;
  • Tenha determinação;
  • Seja o melhor naquilo que se propõe a fazer;
  • Persista (mesmo diante das falhas e de outras “merdas”;
  • etc…

Embora disponível no link, para os mais preguiçosos, leia abaixo a transcrição:

Esta é uma apresentacão de 2 horas que eu dou a estudantes, condensada em 3 minutos. Tudo comecou num avião, voando rumo a uma TED, sete anos atrás. Sentada ao meu lado estava uma estudante secundarista, uma adolescente, e ela vinha de uma familia bem pobre Ela queria fazer algo de importante na vida e me fez uma pergunta simples. “O que leva alguém a ter sucesso?” E eu me senti realmente mal, porque eu não consegui dar uma boa resposta à ela. Então, eu sai do avião e vim para a TED. E eu pensei, “Nossa, estou no meio de muita gente bem-sucedida, porque eu não pergunto à eles o que os ajudou a ter sucesso, e ensino isto aos estudantes?” Portanto, aqui estamos, 7 anos e 500 entrevistas depois, e eu vou contar à vocês o que realmente leva ao sucesso, e faz os TEDers bons A primeira coisa é paixão. Freeman Thomas disse, “eu sou movido pela minha paixão”. TEDers fazem as coisas por amor, não por dinheiro. Carol Coletta disse, “eu pagaria a uma pessoa para fazer o que eu faço” E o interessante é que se você faz as coisas por amor, o dinheirovem junto “Trabalho!”, me disse o Rupert Murdoch. “No final, é trabalho duro, sempre” “Nada vem facilmente, mas eu me divirto muito”. Ele disse diversão? O Rupert? Sim! Os TEDers se divertem trabalhando. E trabalham duro. Eu me dei conta, eles não são viciados em trabalho. Eles são brincalhões no seu trabalho. Alex Garden diz “Bom! Para ter sucesso você tem que enfiar o nariz em alguma coisa, e se tornar extraordinariamente bom nela” Não há mágica. É praticar, praticar, praticar E manter o foco. Norman Jewison me disse, “eu acho que tem a ver com se focar em uma coisa” E se esforçar! David Gallo disse, “esforce-se, fisicamente, mentalmente, você tem que se esforçar, se esforçar, se esforçar” Você te que se esforçar contra a timidez e a insegurança Goldie Hawn disse, “eu sempre tive inseguranças, de que eu não era boa o suficiente, esperta o suficiente, e eu não achava que eu ia chegar lá”. Mas não é fácil ficar sempre se esforçando, e é por isto que inventaram as mães Frank Gehry me disse, “A minha mãe me estimulava” Servir! Sherwin Nuland disse, “é um privilégio servir, como médico”. Um monte de garotos dizem que querem ser milionários e a primeira coisa que eu digo à eles é, “OK, mas você não deve querer só para você, você tem que dar aos aos outros algo de valor, Porque é assim que as pessoas ficam realmente ricas”. Idéias. O TEDer Bill Gates disse, “eu tinha uma idéia- – fundar a primeira empresa de programas para micro-computadores”. Eu diria que esta foi uma ótima idéia E não há mágica na criatividade para ter estas idéias, é so ir fazendo umas coisas bem simples. Eu dou um monte de provas disto. Persistir. Joe Kraus disse, “Peristência é a razão número um para o sucesso”. Você tem que persistir quando falha, Persistir em meio a merda! O que , é claro, significa: “criticas, rejeição, babacas e pressão”. -risadas- A grande resposta à esta questão é simples: Pague 4000 dólares e venha à TED Se isto não der certo, faça as 8 coisas- e confie em mim- estas são as oito grandes coisas que levam ao sucesso. Muito obrigado, TEDsters, pelas entrevistas!

Vale a pena pesquisar também as outras palestras. Há coisas surpreendentes para reflexão.

Você está louco!


Estou terminando de ler o novo livro do Ricardo Semler em português (depois de 18 anos do “Virando a própria mesa”. O cara é genial.
Merece aplausos pela forma como encara a vida e como materializa isso na gestão de suas empresas. Além de ser uma leitura leve e estimulante.
Vale a pena ler! Eu recomendo.

Prometo comentar mais assim que terminá-lo.