Nosso dia-a-dia traduzido em logistiquês.

image by Yasin Öztürk in www.freeimages.com

Em vários momentos de nossa vida somos todos Gerentes da Cadeia de Suprimentos ou de logística.
Ah! Valter, você deve estar me zoando!

Duvida? Então vamos conferir:

Quando você foi buscar seu filho(a) na casa de algum amiguinho você fez uma ação logística. Do mesmo modo, ao identificar os seus potes de tempero no armário, também praticou uma ação logística, visto que ações como essas visam aumentar a percepção de valor enquanto economizam recursos.

Quer ver mais exemplos?

·      Quando você faz uma lista de compras e vai até a mercearia para compra-las, você está fazendo a reposição do estoque (inventário) de consumíveis;
·     Quando você monta um grupo de carona solidária com seus colegas de trabalho, o que você está fazendo é a coordenação de transporte. Ao passar pela casa de cada um para busca-los você está praticando “milk-run”.
·      Quando você vai ao shopping e fica simplesmente olhando vitrines, você está fazendo pesquisa e cotação de preços;
·      Quando você convida seus amigos para jantar e pesquisa o que eles gostariam de comer, você está fazendo a Previsão da Demanda;
·         Ao rolar suas mensagens nas redes sociais, o que você está fazendo é atualizar as suas informações em tempo real;
·      E quando você pega um transporte público e faz baldeação entre diversos tipos de transporte?  Ops!  Aí complicou um pouco.  Se você compra passagens diferentes para cada transporte você estará praticando a intermodalidade. Se utilizar uma única passagem para todos os diferentes transportes então será uma operação multimodal.
·      E naquele final de semana com os amigos, em que você enche o seu isopor de cerveja e refrigerante pra levar para a churrascada?  Pois é, você atendeu às necessidades da cadeia do frio para a conservação e transporte.
·      Quando você chegou de viagem e tirou todo o conteúdo da mala, você acabou de praticar a desunitização;
·      Até quando você apenas dirige o seu carro, você está alavancando a utilidade dos seus ativos logísticos;
·      E quando você pega um atalho para ir de um lugar para outro?  Está racionalizando a rota.  Isso também acontece quando você usa um GPS para definir o seu caminho. Nesse caso, você está usando uma ferramenta de georreferenciamento para racionalizar a rota.
·      Ao arranjar os seus armários de cozinha, deixando as coisas mais utilizadas nos locais mais acessíveis você praticou uma classificação ABC;
·      Quando você leva seu filho(a) na escola, e aproveita a volta para passar no supermercado, você está aproveitando o frete de retorno;
·      Quando você arruma seus mantimentos no armário através de suas datas de validade, para garantir que irá consumir primeiro os mais antigos, você está praticando o conceito PEPS – Primeiro a expirar, Primeiro a sair;
·      E aqueles mais organizados, que marcam as quantidades de cada item da sua despensa, para saber quando deverão ser comprados novamente e garantir que nunca haverá falta?  Esses estão praticando o controle de estoques e definindo os Pontos de Reposição.
·         Ao comparar o tempo de banho dos membros da família, você desenvolveu um KPI – Um indicador de desempenho.

Ficou convencido de que a Logística permeia quase a totalidade das nossas ações?

Lembre-se: Sempre que movemos, embalamos ou armazenamos, ou controlamos o estoque de algo, estamos praticando uma ação logística. Assim vale refletir se estamos fazendo isso de modo inteligente conseguindo o máximo efeito com o mínimo de recursos.  Ao final sobrará mais tempo, mais espaço e mais dinheiro para melhorar a nossa qualidade de vida.

Aposto que você se lembrará de alguma outra ação desse tipo. Compartilhe conosco!

Inspirado em uma imagem vista na Inbound Logistics Magazine.
também publicado em Sociedade Pública

5 dicas sobre “Como se preparar para um inventário geral”

Já estamos no final de Agosto e daqui a 3 meses as empresas que fazem inventários gerais de final de ano deverão estar prontas para realizá-los.
Não vamos discutir nesta postagem as vantagens ou desvantagens desse procedimento, ou a necessidade de realizá-lo. Entretanto, é preciso que uma vez planejado seja realizado com a maior acuracidade já que afeta o resultado anual.
Seguem então 5 dicas fundamentais para um perfeito planejamento dessa atividade, de modo que ao final tenhamos a maior exatidão possível com o menor uso de tempo e recursos da empresa.

1. Pré inventário: 

Para que a contagem física decorre sem nenhuma surpresa é necessário que se faça uma “arrumação” geral, considerando a retirada de materiais estranhos ao estoque, verificação da existência de caixas não identificadas ou com identificação irregular procedendo a regularização, segregação de produtos não conformes para os locais designados, arrumação dos páletes, regularização das camadas de páletes na área de separação. 
Para estoques não paletizados considere a arrumação de pilhas identificando o arranjo dos lastros e regularizando as camadas.
Enfim, trate de organizar as coisas para facilitar a contagem.

2. Use endereços

Se o seu armazém ainda não utiliza um sistema de endereçamento (pode me explicar por que?), estabeleça um sistema e garanta que nenhuma unidade de seu estoque esteja em um local não identificado. Saiba mais sobre endereçamento nessas postagens.

3. Conte por endereços e não por produtos

Dê aos inventariantes uma lista de endereços e não de produtos. Isso automatiza a sequência das contagens e facilita a computação dos resultados, tornando o processo menos dependente das pessoas.

4. Reserve tempo para 3 contagens e mais um pouquinho:  

As duas primeiras contagens devem acontecer em 100% do estoque.  A terceira contagem deverá ocorrer nos casos em que houve divergência entre as duas primeiras. Se ainda assim houver casos de uma terceira divergência, um time de auditores deverá estar a postos para realizar uma quarta e definitiva contagem que irá se sobrepor às realizadas anteriormente.

Só após a consistência das contagens físicas é que o resultado deverá ser comparado aos registros do sistema para os devidos acertos, que sempre deverão ser justificados.

5.Interrompa as operações durante o inventário geral. 

Quando necessário faça uma separação prévia e a baixa de tudo aquilo que deverá ser despachado durante o período de contagem.  Do mesmo modo, não incorpore nenhuma entrada ao estoque físico.  Cuidado também com as diferenças encontradas: Se você reiniciar as operações sem identificar as causas e corrigi-las o problema continuará sem solução.

Por que não inventários cíclicos?

Uma dica geral, independente das 5 acima expostas, é que você passe a considerar a realização de inventários cíclicos. É uma maneira mais rápida e confiável de garantir a acuracidade de seus registros, e permite que eventuais erros venham a ser corrigidos em tempo mais curto.  E sempre liste as causas que foram identificadas como geradoras das diferenças eventualmente encontradas. Isso direcionará seus esforços na busca das correções e melhorias.

Você tem alguma dica adicional para a realização de inventários?  


Quel legal! Compartilhe conosco.

E se precisar de apoio para o planejamento de seu inventário geral ou resolver terceirizar a contagem, não hesite em fazer contato conosco.

Photo by Mario Trejo from Freeimages.com

Oportunidades de melhoria no slotting*

Na postagem que fiz em 08 de Junho, sobre os riscos de aumentar a variedade de itens em seu portfólio, prometi fazer uma postagem à respeito da análise de séries históricas como instrumento para a previsão da demanda. Aqui está ela.

Aviso: A previsão baseada em séries históricas é apenas uma das muitas técnicas quantitativas tratadas na bibliografia sobre o tema e pode ser aplicada sempre que houver um padrão recorrente no comportamento da variável sob                                                                                           análise.

Quantidade ou popularidade?

Um primeiro e necessário esclarecimento, é que na imensa maioria dos casos que já analisei, para localizar os produtos é mais importante que saibamos a quantidade de visitas feitas por endereço/produto, do que propriamente a quantidade que foi coletada em cada visita.  Portanto, é importante que para alocar produtos nos endereços de separação, possamos ter os dados sobre a popularidade, enquanto que para dimensionar o tamanho dos endereços precisaremos ter dados sobre as quantidades movimentadas no mesmo período.

O que eu vejo por aí com muita frequência é a utilização indiscriminada de médias aritméticas como base para fazer os dimensionamentos internos do armazém. Fica claro que sempre que essa série histórica contiver uma certa tendência de aumento ou redução, a média dará um resultado inadequado.  No outro extremo está o dimensionamento pelo pico do período, que eu nem preciso dizer que é uma receita para rasgar dinheiro.

Racionalizando o caminho dos separadores

As previsões de demanda (não importando como são feitas) tem entre outras coisas, o caráter óbvio de permitir o dimensionamento dos endereços dos produtos na área de separação, que é o objeto desta postagem. Mas além disso, devem permitir também que os produtos possam ser dispostos nos endereços mais adequados, de modo a racionalizar o caminho dos separadores.
Essa análise é muito importante nos casos daqueles produtos de forte sazonalidade e que numa determinada estação do ano sejam campeões de venda, enquanto que em outra tenham procura pequena ou nula.

Para corrigir essa distorção e evitar que  produtos sem expectativa de venda no próximo período não fiquem ocupando posições “nobres” em seu layout eu recomendo que o slotting* seja constantemente monitorado e readequado através da análise de seus dados históricos em séries que reproduzam os ciclos sazonais, e que se utilize algum modelo de previsão de demanda.

Que modelo utilizar?

Se você já utiliza um ERP a escolha do modelo dependerá em grande extensão da facilidade de integração com seu sistema.  Se você não usa um sistema desse tipo, ou a integração seja inviável, escolha algo que tenha simplicidade suficiente para ser utilizada através de planilhas Excel, e que trabalhe bem com a variabilidade de seu histórico.

Poderão ser utilizado modelos baseados em técnicas como a Suavização exponencial; Médias Móveis Ponderadas (MMP), ou até mesmo Redes Neurais Artificiais, que trabalham bem os fatores de sazonalidade mas demandam processamento complexo.  Seria desnecessário detalhar aqui os detalhes de cada uma visto que já existem excelentes tutorias gratuitos disponíveis na web.
É preciso lembrar que o ótimo é inimigo do bom e que não existem previsões perfeitas. Minha crença é que deve ser utilizado o modelo mais simples capaz de lhe fornecer previsões razoáveis, o que faria a minha escolha recair sobre um dos modelos de Suavização Exponencial ou MMP.

A suavização exponencial tem a característica de diferenciar os dados recentes, que são mais valorizados, dos mais antigos que influenciam menos no resultado. As médias móveis oferecem resultados mais pobres, entretanto são muito mais simples de calcular e em certos casos oferecem resultados bastante úteis.

Uma vez que tenhamos um banco de dados com a quantidade de visitas de cada endereço, um Mapa de Calor (Heat Map) também é uma ferramenta visual muito útil para identificar onde se concentram as visitas em um dado período.

Tire suas dúvidas

O objetivo desta postagem foi dar uma visão geral sobre o assunto “previsão” que é bastante complexo para ser tratado apenas através das postagens. Se você tem dúvida ou deseja mais esclarecimentos sobre esta postagem ou alguma anterior, não hesite, deixe sua pergunta nos comentários, que terei muita satisfação em respondê-las.

* slotting é o termo que designa a alocação de cada produto no nicho/endereço mais adequado.

Como garantir a integridade dos produtos durante o transporte – parte 2/2



Na postagem anterior tratamos dos aspectos preparatórios para o carregamento.

Ainda no aspecto da preparação, certifique-se que os meios necessários ao carregamento estão disponíveis e em condições de uso.  Por exemplo: transpaleteiras com a capacidade adequada, os páletes, os lacres, o material de acolchoamento quando necessário, e quando se tratar de caixas soltas, lembre-se de providenciar os meios para que os carregadores não pisem diretamente sobre as caixas.
Cargas perigosas exigem sinalização adequada.
Regras de ouro para a estufagem do veículo:
  1. Distribua o peso da carga uniformemente sobre todo o assoalho do baú ou carroceria.
    O centro de gravidade deve ser o mais baixo possível e tão próximo do centro da área do assoalho quanto possível. A atenção deve ser redobrada quando se está carregando cargas formadas por diversos produtos de volumes e pesos diferentes. Sempre que for possível mantenha juntos os lotes de um mesmo produto ou destinados a um mesmo local.
    O peso também deve ser distribuído de modo a não se concentrar em apenas uma das laterais.
  2. Nunca sobreponha produtos pesados sobre produtos leves.
  3. Nunca sobreponha produtos líquidos ou úmidos sobre produtos secos. As embalagens contendo produtos líquidos deveriam ser sempre estufadas embaixo e sobre uma camada de algum tipo de absorvente como serragem ou estopa para que, no caso de um vazamento, a umidade decorrente ficasse contida e reduzisse os danos aos produtos vizinhos. No entanto, essa prática é muito pouco comum no Brasil.
  4. Mantenha a carga presa principalmente junto à porta através de uma estrutura apropriada feita de sarrafos, ou com elásticos ou cabos. Esse é um cuidado especial com quem vai abrir a porta no destino.
    Calce os espaços entre as embalagens, através de sacos infláveis próprios, ou outro material de preenchimento. Esse é um cuidado essencial aos seus produtos.
  5. O ideal é que a carga não deixe espaços laterais entre as embalagens e as paredes do baú. Se isso acontecer, preencha ou calce para impedir o deslocamento lateral.
  6. Se suas embalagens são auto-suportantes, então empilhe-as canto sobre canto, visto que estes são os pontos de maior resistência vertical. Caso contrário, e principalmente se a carga for composta por diversos produtos, empilhe-as em blocos cruzados.
  7. Veículos carregando produtos perigosos devem ser identificados de acordo com a legislação. Não se esqueça de verificar isso previamente!
  8. Se o centro de gravidade da carga estiver muito distante do centro de gravidade do veículo, não se esqueça de avisar o motorista desse fato.  Faça o mesmo no caso de lateralidade.
  9. Nunca ultrapasse a capacidade de carga do veículo, e tampouco o limite de carga por eixo.
  10. Após fechar a porta do baú, lacre-o, grave o número do lacre e registre-o da maneira apropriada nos documentos de envio.

Como garantir a integridade dos produtos durante o transporte – Parte 1

O cuidado com a integridade dos produtos durante o transporte é fundamental para que seus clientes fiquem satisfeitos e seus custos permaneçam em limiares aceitáveis.
Um dos cuidados fundamentais ao planejar o transporte é conhecer os esforços  a que as cargas estarão sujeitas. Nesta postagem vamos falar resumidamente sobre isso, visto que é um assunto que por si só daria um grande número de postagens. Entretanto, não deixem suas dúvidas dormindo. Escrevam para mim e eu irei respondendo ou tratando do assunto em novas postagens. 
No transporte rodoviário, as acelerações provocadas nos sentidos longitudinal e transversal provocadas pelas curvas, pelas frenagens e arrancadas podem ser altas mas não são as mais importantes. No entanto no sentido vertical, as acelerações causadas por lombadas, buracos, e irregularidades da pista representam cerca de 1,5G podendo mesmo chegar a picos de 6G, lembrando que 1G representa o peso próprio do corpo sob esforço.  
Isso quer dizer que em determinados momentos, uma caixa terá de suportar 6 vezes o seu próprio peso e o das mercadorias empilhadas sobre ela.

Entretanto, só embalagens bem dimensionadas não são suficientes. É preciso que os embarcadores cuidem para que o carregamento de um veículo seja feito de maneira cuidadosa, de modo a garantir que os produtos chegaram íntegros ao destino.

Checklist do veículo

Para começar, vamos iniciar com uma verificação das boas condições do veículo, estabelecendo um checklistque contenha, no mínimo, os seguintes itens:
         Condições gerais do veículo: As condições gerais do veículo estão em conformidade com as regras do CBT e de sua empresa?  
         Estanqueidade: Feche o baú e veja se não vaza luz em nenhum ponto;
         Estado do piso: Plano, íntegro, resistente, sem protuberâncias;
         Limpeza: O baú está sem odores? Não apresenta resíduos de cargas anteriores?
         Obstruções ou pontas de pregos ou parafusos: Não há nenhum ponto no piso ou nas paredes do baú, que possa danificar as embalagens ou ferir alguém?
         Suspensão: A suspensão do veículo está em perfeitas condições (nivelada e alta)?
         Portas: As portas se fecham normalmente?
         Lacre nas portas: Há como lacrar o baú (se conveniente ou necessário)?
         O veículo e/ou baú são apropriados para o(s) destino(s)?
         A origem do veículo e seus documentos foram devidamente verificados?
         Motorista: É habilitado? Está uniformizado?
         Produtos perigosos: Se você vai transportar produtos perigosos, o motorista é capacitado? O veículo tem o kit de segurança adequado aos produtos?
Lembrem-se entretanto, que a checagem das condições dos veículos deve ser muito mais detalhada do que os itens acima. Vale a pena discutir isso com os responsáveis pela frota de sua empresa.

Veículo conferido, vamos aos produtos

         As embalagens estão intactas? (sem amassados, vazamentos, rasgos, etc…)
         As embalagens estão corretamente identificadas?
         Há indicações sobre fragilidade, base da caixa, onde pegar, empilhamento máximo, etc…?
         Os produtos incompatíveis estão devidamente segregados? (por exemplo: aqueles mutuamente contaminantes)
         As quantidades e tipos de produtos a embarcar estão corretamente conferidos e disponíveis?
         Você tem indicações sobre a m³ e o peso de cada caixa a ser embarcada?
E agora faça um plano de estufagem, de modo a garantir que os produtos serão embarcados do modo adequado, o que evitará que sofram danos durante o transporte e o descarregamento:
         A capacidade cúbica do veículo será utilizada ao máximo?  Se não, cuide para que a carga fique fixada firmemente.
         O peso por eixo está sendo respeitado?
         O carregamento está sendo feito na ordem inversa dos descarregamentos, de modo que a conferência e o acesso aos produtos sejam facilitados no momento das entregas?
         Produtos mutuamente incompatíveis estão segregados?
         Produtos pesados, caixas volumosas, produtos líquidos estão na base dos empilhamentos?

Atualmente há software de otimização de cargas disponíveis gratuitamente e online, que auxiliam na elaboração do mapa de carregamento e oferecem o máximo de ocupação para um dado volume do contentor. Apesar de não serem tão sofisticados quanto as versões pagas que dispõem de um leque de funcionalidades adicionais (peso por eixo, formas diferentes de embalagens, etc.), ainda assim permitem uma visão antecipada sobre a quantidade de veículos que será necessária evitando gastos desnecessários com frete.

O próximo passo será o carregamento propriamente dito.  Deixaremos isso para a próxima postagem.
Tenham uma boa semana!

Por que aumentar a variedade de itens no portfólio pode ser um problema?

Outro dia, fui até uma loja de ferragens aqui da cidade, famosa por ter um imenso portfólio (segundo o proprietário são mais de 50.000 itens), para comprar parafusos. 
Mas a resposta para os 3 tipos de parafusos sobre os quais eu perguntei foi o clássico “Putz!  Acabou e o fornecedor ainda não entregou”.  
Além da minha frustração, três perguntas ficaram no ar:
  • ·        Será que os fornecedores, de fato, atrasaram a entrega de três itens quaisquer, coincidentemente aqueles dos quais eu precisava?  
  • ·        Será que esse itens faziam parte do portfólio da loja? 
  • ·        Será que ele encontrou esse itens onde deveriam estar armazenados?

Isso me fez lembrar aquela frase do mestre Taiichi Ono “Quanto mais inventário você tem, menos provável é encontrar o que você precisa”.

Seu nível de falha pode ser 0,001% mas para o cliente não atendido será 100%

Do ponto de vista de melhorar o nível de serviço, uma variedade maior de itens significa dar um passo na direção da responsividade, visto que o consumidor terá um maior leque de opções. Entretanto, isso só será verdadeiro se o cliente encontrar aquilo que deseja, visto que para o cliente não importa se a loja tem 5, 10, ou 100.000 itens em seu catálogo, se aquele necessário ou desejado no momento não é encontrado.
Por outro lado, do ponto de vista da rentabilidade, a proliferação de SKUs principalmente se carente de controle, poderá levar a custos maiores de manutenção do estoque para garantir que não acontecerá a indesejável ruptura, o que equivale dizer que isso implicará em menor lucro. E é bom lembrar que estoques excessivos agravam também as perdas por obsolescência ou pelo fim da vida de prateleira de muitos itens.

Quer atender bem seus clientes? 

Não se iluda. Além de definir bem qual é o seu mercado, é importante que você se organize:

Primeiro, obtenha o pleno controle sobre o seu inventário, tanto quantitativamente quanto em relação à localização dos itens no armazém; depois crie as condições para antecipar a demanda através da análise do histórico das vendas, e só então invista na diversificação que lhe permitirá oferecer mais opções aos seus clientes.
Em uma próxima postagem falaremos um pouco sobre a análise do histórico de vendas e movimentação de produtos. Conte conosco!

Uso da média harmônica no planejamento de operações logísticas – parte 2

Na postagem anterior vimos o uso do Harmônico Global, que serve para calcular o efeito de um único elemento do conjunto, substituindo a ação de todos os demais, simultaneamente.  O que pretendo mostrar hoje, é como aplicar a fórmula no caso em que os recursos atuem um contra o outro.
Imagine isso como uma caixa d’água que é alimentada por uma torneira enquanto uma outra permanece aberta.  Se a vazão de entrada for maior que a vazão de saída, em um dado momento a caixa ficará totalmente cheia. Caso contrário, nunca se encherá.
Um bom exemplo prático dessa aplicação, é a verificação da capacidade de uma dada área de estacionamento de páletes para comportar o operação de recebimento de um armazém.
Digamos que sabe-se que os Recebedores conseguem lotar a área definida para o estacionamento das cargas recebidas em 4 horas. Entretanto os Movimentadores só conseguem retirar esses mesmos páletes para a armazenagem em 6 horas.   
Dado que o trabalho é simultâneo, chegará um momento em que a área de estacionamento ficará totalmente cheia dos páletes descarregados. Em quanto tempo isso acontecerá?  

Aplicando a mesma fórmula do caso anterior, cuidando que o sinal agora é ““ porque temos ações contrárias (encher e esvaziar), chegamos a 12 horas.
Veja que para conhecer isso não importa a capacidade dessa área e tampouco o tamanho das equipes, visto que conhecemos os tempos de encher e esvaziar.
Considerando que o turno de trabalho seja de 8 horas, o estacionamento nunca ficará totalmente cheio. Entretanto, se o trabalho for continuado em um segundo turno, teremos problemas de congestionamento a partir da 12ª hora.  Portanto, nesse caso, ou aumentamos a capacidade de movimentação da equipe de armazenagem, ou teremos que interromper o trabalho de descarregamento.

Podemos concluir com esses exemplos simples, que conhecer esse tipo de média é muito útil para planejar, de forma rápida, o tempo necessário para concluir tarefas que são feitas por um conjunto de recursos com diferentes capacidades individuais, independente da quantidade desses recursos.