Como carregar um veículo de maneira perfeita

Inicialmente vamos falar resumidamente sobre as acelerações às quais estão sujeitas as cargas rodoviárias.

No sentido longitudinal e transversal, a aceleração provocada pelas frenagens e arrancadas não são as mais importantes. No entanto no sentido vertical, as acelerações causadas por lombadas, buracos, e irregularidades da pista representam cerca de 1,5G podendo mesmo chegar a picos de 6G.


É por esse motivo que os embarcadores precisam cuidar para que o carregamento de um veículo seja feito de maneira cuidadosa, o que se consegue seguindo algumas regras básicas:

Verifique seus produtos:

  • As embalagens estão intactas? (sem amassados, vazamentos, rasgos, etc…)
  • As embalagens estão corretamente identificadas?
  • Os produtos incompatíveis estão devidamente segregados? (por exemplo: aqueles mutuamente contaminantes)
  • As quantidades e tipos estão corretamente conferidas e disponíveis?
  • Planeje a estufagem:
  • O planejamento da estufagem de seu veículo garante que os produtos não sofrerão danos durante o transporte e o descarregamento?

  • A capacidade cúbica do veículo será utilizada ao máximo?
  • A conferência e o acesso aos produtos serão facilitados no momento do descarregamento?
  • Disponibilidade de equipamentos:
    O tempo gasto no carregamento também é importante e indicativo da qualidade de seu processo. Antes do início do carregamento você se assegurou que os meios necessários estão disponíveis? A carga está conferida e achada OK? E as Paleteiras, páletes, lacres, material de acolchoamento, etc…estão disponíveis para uso?

Checagem do veículo:

Verifique se o veículo está em boas condições conferindo:

  • Estanqueidade (feche o baú e veja se não vaza luz em nenhum ponto),
  • Estado do piso (plano, íntegro),
  • Limpeza (está sem odores? Não apresenta resíduos de cargas anteriores?
  • Não há obstruções ou pontas (de pregos ou parafusos) no piso ou nas paredes do baú, que possam danificar as embalagens ou ferir alguém?
  • A suspensão do veículo está em perfeitas condições (nivelada e alta)?
  • As portas se fecham normalmente?
  • Há como lacrar o baú (se conveniente ou necessário?
  • O veículo e/ou baú são apropriados para o(s) destino(s)?
  • A carga não vai exceder o peso por eixo?
  • A origem do veículo e seus documentos foram devidamente verificados?
  • Se você vai transportar produtos perigosos o motorista é capacitado? O veículo tem o kit de segurança?

Regras de ouro para a estufagem do veículo:

  1. Distribua o peso da carga uniformemente sobre todo o assoalho. O centro de gravidade deve ser o mais baixo possível e tão próximo do centro quanto possível. A atenção deve ser redobrada quando se está carregando cargas formadas por diversos produtos. Sempre que for possível mantenha juntos os lotes de um mesmo produto ou destinados a um mesmo local.Não se esqueça da distribuição de peso sobre os eixos.
  2. Nunca sobreponha produtos pesados sobre produtos leves.
  3. Nunca sobreponha produtos líquidos ou úmidos sobre produtos secos. As embalagens contendo produtos líquidos deveriam ser sempre estufadas embaixo e sobre uma camada de algum tipo de absorvente como serragem ou estopa para que, no caso de um vazamento, a umidade decorrente ficasse contida e reduzisse os danos aos produtos vizinhos. No entanto, essa prática é muito pouco comum no Brasil.
  4. Mantenha a carga presa principalmente junto à porta através de uma estrutura apropriada feita de sarrafos, ou com elásticos ou cabos. Esse é um cuidado especial com quem vai abrir a porta no destino.
    Calce os espaços entre as embalagens, através de sacos infláveis ou outro material de preenchimento. Esse é um cuidado essencial aos seus produtos.
  5. O ideal é que a carga não deixe espaços laterais entre as embalagens e as paredes do baú. Se isso acontecer, preencha ou calce para impedir o deslocamento lateral.
  6. Se suas embalagens são auto-suportantes, então empilhe-as canto sobre canto, visto que estes são os pontos de maior resistência vertical. Caso contrário, e principalmente se a carga for composta por diversos produtos, empilhe-as em blocos cruzados.
  7. Veículos carregando produtos perigosos devem ser identificados de acordo com a legislação. Não se esqueça de verificar isso previamente!
  8. Se o centro de gravidade da carga estiver muito distante do centro de gravidade do veículo, não se esqueça de avisar o motorista desse fato.
  9. Nunca ultrapasse a capacidade de carga do veículo.
  10. Após fechar a porta do baú, lacre-o, grave o número do lacre e registre-o da maneira apropriada nos documentos de envio.

A safra recorde e os riscos de apagão logístico

Li hoje um artigo do Deputado Federal pelo Paraná, Dilceu Sperafico, sobre os riscos de apagão logístico que continua rondando nossa economia.
Segundo o artigo, 50% da safra de soja do Mato Grosso é consumido pelo frete até os portos de exportação. Isso corresponde a cerca de 31% de toda soja produzida no Brasil.
Dá pra perceber o tremendo ralo por onde escoa nossa economia?

Numa outra notícia que li sobre o transporte de açúcar da região de Ribeirão Preto para Santos, o uso do transporte ferroviário provoca uma redução de 20% no custo do frete.

Caramba! Até quando ficaremos dependentes do transporte rodoviário?

Segundo Sperafico, nossa matriz de transporte faz com que 67% da safra seja escoada por rodovias, enquanto que nos Estados Unidos o transporte rodoviário movimenta apenas 26% das cargas enquanto o ferroviário é responsável por 38%.

Com base na comparação feita acima, dá pra perceber que o jeito americano de transportar é muito mais econômico.

De que adianta comemorarmos safras recordes e descobrir que somos o celeiro do mundo, se metade de tudo vira poeira de estrada? Quanto mais produzimos mais prejuízos acumulamos, tanto pela falta de infraestrutura, quanto pelo custo dos insumos e excessivos impostos.

Dia desses vi uma entrevista na TV Câmara ou TV Senado (sei lá!) sobre a movimentação que está acontecendo entre os parlamentares, no sentido de mudar nossa matriz de transporte dando ênfase para as ferrovias. Vamos ver se os caras fazem o trabalho direito e rápido.

Leia o artigo completo em http://migre.me/rhQk

Custos escondidos no transporte e na exportação

Quando se fala sobre exportação, invariavelmente o que nos vem à cabeça é o transporte marítimo e a utilização do cofre de carga, mais conhecido como conteiner, como a melhor maneira de reduzir os custos envolvidos no processo.
Quaisquer tipos de mercadorias, sejam elas líquidos, gás, granéis sólidos, caixas ou engradados podem ser transportados via conteineres. A padronização de tamanhos, a capacidade de carga e a inviolabilidade, fazem dos conteineres um dos mais versáteis meios para se transportar mercadorias uma vez que se adaptam perfeitamente tanto ao transporte marítimo quanto ao rodoviário e ferroviário utilizados nas pontas. Desse modo, seu uso contribui para eliminar o manuseio da carga nos diversos pontos de transbordo permitindo que se obtenha ganhos logísticos importantes tanto pela redução de custos de mão de obra quanto pela redução no índice de avarias nos produtos.
Porém aos exportadores iniciantes lembramos que usar conteiner não garante que o seu produto chegue intacto ao seu destino.
Nós que vivemos no Brasil e infelizmente convivemos no dia a dia com o péssimo estado de pavimentação de uma grande maioria de nossas vias sabemos intuitivamente que a carga sofre esforços importantes durante o transporte, que invariavelmente se traduzem em danos e assumem a forma de reclamações de nossos clientes relacionadas com caixas amassadas, produtos quebrados ou danificados, etc…
Mas será que os buracos nas estradas são os únicos responsáveis pelos danos aos produtos?
Há uma gama de esforços dinâmicos que são transmitidos ao produto durante o transporte, independente do estado das estradas, e que são devidos à aceleração, frenagens, curvas, vibrações, etc…
Por exemplo:
• Transportes aéreos são caracterizados por transmitir esforços de vibração de alta freqüência.
• O transporte rodoviário transmite principalmente esforços verticais motivados pela suspensão dos veículos e por solavancos da estrada, esforços esses que podem chegar em condições extremas até a 15 vezes o peso do produto.
• Transportes ferroviários por outro lado transmitem intensos esforços horizontais (também da ordem de 15 vezes o peso do produto) por conta dos choques durante o engate dos vagões.
• E transportes marítimos apesar de sujeitarem as cargas a esforços menores, estes ocorrem tanto na vertical quanto na horizontal motivados pelos movimentos do navio. No momento das manobras dos conteineres pelos guindastes os choques podem chegar a mais de 5 vezes o peso do produto.
Além disso, a umidade aprisionada dentro do conteiner no momento em que é fechado pode se condensar sobre seus produtos durante as noites frias ocasionando danos por corrosão ou fungos.
Muitos exportadores iniciantes, por puro desconhecimento da ocorrência desses esforços não se dão ao trabalho de reestudar suas embalagens e proteger melhor os produtos para o transporte achando que se as caixas suportam o empilhamento então estão bem dimensionadas. Desse modo continuam tomando prejuízos e causando insatisfação aos seus clientes.
A equação dos custos logísticos deve levar em conta não só aqueles mais conhecidos como: armazenagem, movimentação e frete, mas também o custo intrínseco da caixa ou engradado e os acessórios de acolchoamento e protetores contra umidade, fungos e corrosão, e por outro lado levar em conta que eventuais custos adicionais nesses elementos podem reduzir em muito as perdas por danos, avarias e importadores descontentes.
Portanto, exportar não é simplesmente colocar seus produtos num conteiner mas obter previamente informações sobre toda a cadeia de transporte, conhecer o coeficiente de fragilidade de seus produtos e os meios adequados para protege-los, obter informações sobre os métodos de recebimento no destino, enfim oferecer ao seu cliente a garantia que você tomou os cuidados necessários para evitar a ele os dissabores de comprar e não receber os produtos íntegros e na qualidade contratada.
Lembre-se, o menor custo logístico é obtido pela otimização dos custos do sistema logístico como um todo. Desse modo, querer economizar na embalagem, no pálete, e ainda no método de manuseio, poderá ter como conseqüência um custo final maior devido a retrabalhos, reclamações, danos ao produto e perdas futuras de vendas que eliminará toda a economia obtida nos diversos elos da cadeia.
Portanto, ao planejar sua operação, nunca se esqueça: “A otimização das partes não leva necessariamente à otimização do todo”.
E sucesso em suas novas exportações!