Responsividade e Eficiência. Como equilibrar?

O primeiro objetivo de qualquer cadeia de suprimentos é a satisfação dos desejos e das necessidades dos consumidores, e gerar lucro para os envolvidos.
A forma como esses objetivos são tratados, separa as estratégias e os comportamentos das cadeias de suprimentos em responsivos ou eficientes.
Nesse contexto, a responsividade é definida como a habilidade da cadeia, em responder adequadamente às demandas dos consumidores, de forma rápida, com bom nível de serviço e dando-lhes uma gama mais ampla de escolhas, e ser rápida em adaptar-se às mudanças do mercado.
Por outro lado, uma cadeia eficiente é aquela que foca na redução de custos em primeiro lugar, preocupando-se que nenhum recurso seja desperdiçado ou que nela ocorra algum tipo de atividade que não adicione valor ao produto ou serviço.
Cadeias eficientes, portanto, oferecem menos valor adicionado, mas em compensação conseguem oferecer custos menores.
Do macro ambiente da Cadeia de Suprimentos para o micro ambiente de cada empresa dentro dessa cadeia, essas características se repetem.
Para entender de modo simples, o que é uma empresa eficiente e o que é uma empresa responsiva, vou dar um exemplo que, eu creio, não deixará dúvidas.

A empresa eficiente

Uma empresa eficiente é como aquele boteco que serve boas refeições, porém na modalidade “PF” ou prato feito.
Para cada dia da semana há um cardápio fixo, com somente umas poucas opções, ou mesmo uma única.  O consumidor sabe exatamente o que terá, a qualidade é boa (isso é imperativo), e o preço oferecido é atrativo. Portanto, o benefício em relação ao custo é bom, mas não há o que esperar em termos de serviços adicionais como opções de pratos, sofisticação, ou qualquer outro adicional.
Nesse contexto, a empresa consegue ter custos baixos, exatamente porque consegue trabalhar com um estoque enxuto, seus processos são mantidos simples, a mão de obra pode ser menos especializada, e portanto a empresa consegue praticar uma margem mais alta.

A empresa responsiva

Por outro lado, uma empresa responsiva é como aquele restaurante que serve seus consumidores sob a forma de buffet (a quilo ou self-service).  Oferece ao consumidor uma gama de opções de entradas, saladas, pratos quentes e sobremesas.
Para obter uma boa qualidade, tem que investir mais em equipamentos e utensílios, nos estoques , em mão de obra mais especializada, e corre um maior risco pela variação da demanda diária. Portanto, oferece um serviço mais “atraente”, mas a um preço maior para seu consumidor, e precisa praticar uma margem menor para ser competitivo

Mas o que é melhor para minha empresa?

É claro que o desafio é conseguir o melhor dos dois mundos: Manter os custos baixos e oferecer o melhor serviço ao consumidor. Mas isso, convenhamos, não é simples! Tampouco fácil.
Decidir qual o equilíbrio entre eficiência e responsividade, que seja mais adequado para a empresa, é o nome do jogo.
Para isso as empresas costumam contar com 3 ferramentas básicas para sua proteção contra as variações de demanda: Os inventários, sua capacidade de produção, e o tempo necessário para o processamento de seus produtos.  Aumentar os seus estoques, ter alguma supercapacidade, e contar com tempos extras, permitem que as variações de demanda possam ser melhor absorvidas. Entretanto isso pode custar um bocado de dinheiro.
Estoques altos são um indício de que algo não está devidamente sob controle. Portanto, conseguir reduzir a variabilidade é uma estratégia melhor do que aumentar os estoques.
Qualquer que seja o seu posicionamento no mercado, para obter a melhor solução é preciso contar com um Sistema de informações capaz de lhe permitir antecipar a demanda, planejar estoques mais enxutos, e  consequentemente manter os custos baixos e os clientes satisfeitos.
Conforme disse a escritora C. J. Cherryh* em seu livro “Chanur’s Legacy”
“Os negócios não tratam de bens. Negócios tratam de informações. Os bens ficam dormindo nos armazéns até que a informação os mova”.

Pense nisso!
* Carolyn J. Cherry é uma escritora americana de ficcção científica e mundos fantásticos.

Você sabe por que os caminhões da UPS nunca fazem conversões à esquerda?

Pode até ser algo que você já tenha percebido mas aposto que você não sabia porque os veículos da UPS jamais viram para a esquerda em esquinas?

Ao ler a reportagem que traduzi livremente abaixo, eu vi a solução para um problema de todo dia que sempre me incomodou: Quando vejo ônibus urbanos atrapalhando duas vias de tráfego para virar esquinas à esquerda, o que vira e mexe causa algum acidente, eu sempre me perguntei se não seria mais adequado que eles andassem até o próximo quarteirão e fizessem loops para a direita.  Wow!  Isso seria mais adequado!
Essa política da UPS de “evitar conversões à esquerda” foi anunciada aos seus motoristas em 2004. E, na prática, isso significa que muitas vezes, o trajeto alternativo poderá até parecer estúpido a eles, mas há uma razão extremamente lógica por trás dessa decisão e resultados excepcionalmente bons.

Quando os sistemas de roteamento se tornaram tecnicamente viáveis por volta de 2001, o pessoal técnico do serviço de entregas da UPS aproveitou para fazer uma análise  minuciosa de como os seus veículos realizavam as entregas.  Como uma empresa de logística que trabalha com 96.000 veículos e algumas centenas de aeronaves, muito do negócio diário da UPS pode ser condensado em uma série de problemas de otimização de transporte, envolvendo desde modos para economizar combustível e tempo, até como utilizar o espaço dos estacionamentos de forma mais eficiente.
(Nos estacionamentos da UPS, os veículos são dispostos um ao lado do outro com menos de 15 centímetros de distância entre eles, com seus retrovisores se alternando, para economizar espaço.)

Os engenheiros da UPS descobriram que as conversões à esquerda roubam a eficiência dos trajetos. Virar à esquerda (portanto contra o tráfego) resulta em esperas longas na pista da esquerda esperando pela vez de fazer a conversão, o que desperdiça tempo e combustível, além de ser a causa de uma quantidade desproporcional de acidentes. Através do mapeamento das rotas que envolvem uma série de loops à direita, a UPS incrementou a segurança e os lucros enquanto divulgava uma cativante política ambientalmente amigável.

Desde 2004, a política “vire a direita” combinada com outras implementações inovadoras, permitiu a UPS economizar em torno de 38 milhões de litros de combustível e reduzir emissões equivalentes a retirar 5.300 carros das ruas por um ano.
E se vocês duvidam de algo, é pra isso que os Caçadores de mitos (MithBusters) existem. O programa fez um teste comparando as rotas feitas pela UPS com um outro veículo fazendo as conversões à esquerda. A conclusão deles foi que a abordagem utilizada pela UPS economizou combustível apesar de ter demorado um pouco mais.


É provável que a demora adicional do pessoal do MithBusters para fazer o roteiro tenha se devido somente ao fato de que eles foram 100% rigorosos com relação às conversões para a esquerda, enquanto que o sistema de roteamento da UPS permite que os motoristas virem à esquerda em algumas poucas circunstâncias e locais (bairros residenciais e pouco tráfego). Mas as conversões à direita representam cerca de 90% do total.

Fonte: Priceonomics – disponível em http://priceonomics.com/why-ups-trucks-dont-turn-left/  by Alex Mayyasi.