As mudanças na logística para os pequenos empreendedores no e-commerce

O mercado atual é caracterizado pelas mudanças que ocorrem cada vez com maior rapidez, causando disrupções, alterações radicais de cenário, volatilidade da fidelidade dos clientes, migração de clientes entre os canais oferecidos, afinamento da percepção dos clientes para o serviço obtido, exigindo extrema flexibilidade dos atores das cadeias de suprimentos.
Só lojas físicas já não são suficientes!
A migração dos clientes para os canais eletrônicos é inequívoca, e um ponto que vem chamando a atenção dos varejistas é o chamado omnichannel, que se define como uma experiência contínua do consumidor envolvendo todos os canais.
O omnichannel parte do princípio que o consumidor já não distingue o que é off-line do que é online e que tudo precisa estar conectado para que ele obtenha a experiência buscada.
Para os varejistas (principalmente de lojas físicas) isso provoca a necessidade de repensar qual canal deveria merecer os seus maiores esforços, o que normalmente era feito apenas como parte da estratégia da empresa em detrimento da necessidade dos clientes, e passar a centrar-se na experiência total do cliente, sob pena de perder mercado.
Para os serviços logísticos, isso é um enorme desafio porque o controle do estoque precisa ser mais que perfeito, o ciclo do pedido precisa se tornar ainda mais rápido, e os prazos de entrega não podem falhar, sob pena de perder o cliente.
Grandes empresas tem sempre a alternativa de contratar um Operador Logístico capaz de atender essas necessidades sem que o empresário precise desviar os seus próprios recursos de suas atividades centrais.
Entretanto, o que dizer dos pequenos e médios empreendedores que precisam compartilhar os seus estoques entre as lojas físicas e online, e cuidar do processamento de uma infinidade de pequenos pedidos com poucos SKUs e na maior parte das vezes, com apenas uma unidade?
Uma alternativa interessante é passar a ver a sua loja física como um grande cliente, e administrar o estoque a partir dessa perspectiva.
Eu vejo que precisam adotar boas práticas no controle dos seus estoques físicos, utilizando os mesmos cuidados e técnicas que os grandes varejistas. Por exemplo:
• Organize seus armazéns ou depósitos considerando endereços lógicos, e conceitos ergonômicos na utilização de prateleiras e equipamentos de movimentação;
• Dimensione o seu layout procurando a melhor utilização de seu espaço cúbico sem, no entanto perder de vista as facilidades para a movimentação das mercadorias;
• Use algum software ou aplicativo capaz de controlar a quantidade e o posicionamento dos itens em estoque. Um WMS seria ideal mas talvez num primeiro momento, você tenha que utilizar algum recurso digamos criativo e mais em conta;
• Invista na produtividade do processamento dos seus pedidos online, incluindo a separação das mercadorias, sua conferência, embalagem e identificação dos pacotes, bem como para a consolidação dos pedidos segundo os locais das entregas. Isso inclui a utilização de ordens de separação (não use as notas fiscais nessa fase). Determine um local específico para esses procedimentos e utilize bancadas ergonômicas e os equipamentos adequados.
• Reduza a quantidade de embalagens de transporte e não improvise. As embalagens identificam você e transmitem uma imagem sobre sua empresa. Uma embalagem bem dimensionada também reduzirá os seus custos de frete;
• Escolha muito bem seus parceiros de distribuição. Preço não é tudo! Verifique principalmente os aspectos de confiabilidade e consistência do trabalho do parceiro, e se ele conhece bem os seus produtos.

O caminho do bezerro

by Sam Walter Foss (1858-1911) – poeta americano

Um dia, através da floresta primitiva, um bezerro caminhava de volta para sua dormida, como os bons bezerros faziam;
Mas ele fez uma trilha cheia de curvas e voltas, uma trilha tortuosa, como todos os bezerros fazem.
Desde então trezentos anos se passaram, e devo presumir que o bezerro esteja morto.
Mas ainda assim ele deixou o seu rastro, e dele se originou o meu conto moral.

A trilha foi retomada no dia seguinte por um cão solitário que por ali passava;
E, em seguida, uma sábia ovelha guia que procurava uma trilha sobre os vales e encostas também guiou o seu rebanho através dela, como as boas ovelhas guia sempre fazem.
E a partir daquele dia, sobre as colinas e clareiras, através daquela velha floresta, um caminho foi feito;
e muitos homens seguiram por ele entrando e saindo pelas suas voltas e curvas, e proferiram palavras de justa ira por ser aquele um caminho tão tortuoso.

Mas ainda assim continuaram seguindo, não riam, o caminho originalmente aberto por aquele bezerro através da floresta,
uma trilha tão incoerentemente traçada quanto o rumo incerto pelo qual ele caminhava.
E a trilha na floresta se transformou em um caminho, que se curva e se volta, e novamente se dobra.
Este caminho se tornou uma estrada, onde muitos pobres cavalos com suas cargas fatigavam-se sob o sol escaldante,
e viajavam cerca de três quilometros para percorrer apenas um.
E depois de um século e meio, eles ainda pisavam sobre as pegadas daquele bezerro.

Os anos se passaram muito rapidamente.
A estrada tornou-se uma rua de uma vila,
E, antes que os homens percebessem, em uma tumultuada artéria de uma cidade,
Que em breve transformou-se na rua central de uma renomada metrópole;

E os homens, após dois séculos e meio continuavam pisando sobre as pegadas de um bezerro.
A cada dia cem mil seguem o zigzag do bezerro, e sobre aquele seu caminho torto passou o tráfego de um continente.
Cem mil homens foram guiados por um bezerro morto há três séculos,
e perdem cem anos em um dia, por conta da reverência que prestam ao tão bem estabelecido precedente.

Fosse eu um pregador ordenado, eu poderia ensinar uma lição moral com estes versos;
Para homens que são propensos a seguir cegamente ao longo dos caminhos de bezerro de suas mentes,
e a trabalhar de sol a sol
repetindo o que outros homens já fizeram.

Eles palmilham nas trilhas batidas, para fora e para dentro, para frente e para trás,
escolhendo sempre os mesmos cursos errantes, para manter o caminho que outros já seguiram.
Eles mantém o caminho traçado, um sulco sagrado ao longo do qual passam como todos os que antes deles vieram;
Como devem estar rindo os antigos e sábios deuses da floresta,
eles que viram o primeiro e primitivo bezerro e seu andar incerto!

Ah, quantas coisas esses versos poderiam ensinar – Mas eu não fui ordenado pregador.

Colhido e traduzido por Valter Mello em Fevereiro de 2000.

MENSAGEM à GARCIA

Hoje resolvi postar um clássico da literatura corporativa. “Mensagem à Garcia”. Creio que a maioria já teve oportunidade de ler ou pelo menos ouviu falar desse texto.
A quem não o conhece, peço que gaste algum tempo para lê-lo.
É de Fevereiro de 1899 e foi escrito por Helbert Hubbard, então editor de uma revista chamada Philistine. Apesar da idade, é de uma atualidade absoluta nestes tempos de empreendedorismo.

Em 1913, o autor contou que escreveu aquilo que chamou de “insignificância literária” em apenas uma hora, motivado por uma conversa que teve com o filho sobre um herói da guerra Hispano Americana, que havia sido iniciada no ano anterior (1898).

Após a primeira publicação em sua revista, despreocupadamente e até sem título, Hubbard disse ter ficado surpreendido pela repercussão que teve e pelos inúmeros pedidos para reimpressão. Por falta de condições para entregar as encomendas acabou autorizando a publicação por terceiros e o resultado foi talvez o primeiro texto de características virais de que se tem notícia, tendo sido traduzido e publicado em quase todos os idiomas do planeta (e isso sem internet!).

O ensaio relata a história de “um camarada de nome Rowan”, inspirado no tenente Andrew Summers Rowan, que heroicamente, contra todas as adversidades, entregou uma mensagem do presidente estadunidense McKinley ao general Calixto Garcia Íñiguez, líder das forças rebeldes cubanas.

MENSAGEM À GARCIA
Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte em seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer?

Alguém lembrou ao presidente: “Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan”.
Rowan foi trazido à presença do presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para, depois de três semanas surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregado a carta a Garcia, são coisas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente.

O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou a carta e nem sequer perguntou: “Onde é que ele está?”.

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze perene e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem de instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altivo no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

O general Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, tem sido poupado de momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la.

Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal-feito parecem ser a regra geral. Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem-sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo, a não ser que Deus onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz.

Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chame um deles e peça-lhe: “Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corregio”.

Dar-se-á o caso do empregado dizer calmamente: “Sim senhor” e executar o que lhe pediu?
Nada disso! Olhar-te-á perplexo e de soslaio para fazer uma ou mais das seguintes perguntas:

Quem é ele?
Que enciclopédia?
Onde é que está a enciclopédia?
Fui eu acaso contratado para fazer isso?
Não quer dizer Bismarck?
E se Carlos o fizesse?
Já morreu?
Precisa disso com urgência?
Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer?
Para que quer saber disso?

E aposto dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas, e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar “Korregio”, e depois voltará para te dizer que tal homem não existe.

Evidentemente, pode ser que eu perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa. Ora, se fores prudente, não te darás ao trabalho de explicar ao teu “ajudante” que Corregio se escreve com “C” e não com “K”, mas limitarás a dizer-lhe meigamente, esboçando o melhor sorriso: “Não faz mal; não se incomode”, e, dito isto, te levantarás e procurarás tu mesmo.

E esta incapacidade de atuar independentemente, esta inépcia moral, esta invalidez de vontade, esta atrofia de disposição de solicitamente se pôr em campo e agir – são as causas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro.

Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado do seu esforço for necessário para redundar em benefício de todos? Por enquanto parece que os homens ainda precisam ser feitorados. O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de, se não o fizer, ser despedido no fim do mês.

Anuncie precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar – e, o que é pior, pensam que não é necessário sabê-lo.

Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia?

“Vê aquele guarda-livros”, dizia-me o chefe de uma grande fábrica.
“Sim, que tem?”
“É um excelente guarda-livros. Contudo, se eu o mandasse transmitir um recado, talvez se desobrigasse da incumbência a contento, mas também podia muito bem ser que no caminho entrasse em duas ou três casas de bebidas, e que, quando chegasse ao seu destino, já não se recordasse da incumbência que lhe fora dada.”

Será possível confiar a um tal homem uma carta para entregá-la a Garcia?

Ultimamente temos ouvido muitas expressões sentimentais, externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados à cata de trabalho honesto, e tudo isto, quase sempre, entremeado de muita palavra dura para com os homens que estão no poder.

Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscienciosamente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que no entanto, muitas vezes nada mais faz do que “matar o tempo”, logo que ele volta as costas. Não há empresa que não esteja despedindo pessoal que se mostra incapaz de zelar pelos seus interesses, afim de substituí-lo por outro mais apto.

Este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente, em tempos adversos, com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. É a lei da sobrevivência do mais apto. Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores – aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.

Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que, ademais, se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido à suspeita insana que constantemente abriga de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimi-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: “Leve-a você mesmo”.

Hoje este homem perambula errante pelas ruas em busca de trabalho, em quase petição de miséria. No entanto, ninguém que o conheça se aventura em dar-lhe trabalho porque é a personificação do descontentamento e do espírito de réplica. Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única coisa capaz de nele produzir algum efeito seria um bom pontapé dado com a ponta da bota de número 42, sola grossa e bico largo.

Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz justamente daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.

Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; mas, quando todo mundo se apraz em divagações, quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de empecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros, e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo sua mera subsistência.
Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro, como também tenho sido patrão. Sei, portanto, que alguma coisa se pode dizer de ambos os lados.

Não há excelência na pobreza de per si; farrapos não servem de recomendação. Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.

Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer o patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranquilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário, este homem nunca fica “encostado”, nem tem que se declarar em greve para forçar um aumento de ordenado.

A civilização busca ansiosa, insistentemente, homens nestas condições. Tudo que um tal homem pedir, se lhe há de conceder. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: Precisa-se, e precisa-se com urgência, de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.

Elbert Hubbard

O ensaio merece de nós uma profunda reflexão. Quantas vezes, nós cidadãos, políticos, empresários, entidades, deixamos de entregar a nossa mensagem a Garcia?

O garoto que domesticou o vento

Vi no “Saia do Lugar” que é um site muito legal feito por uns caras muito dedicados e dispostos de verdade, a desenvolver o empreendedorismo no Brasil, a história fantástica de William Kamkwamba, um jovem que, aos 14 anos, e sem conhecer Jean Cocteau, levou ao pé da letra a famosa frase deste: “Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez”.
Nascido no Malawi, talvez o país mais pobre do mundo, sem dinheiro nem pra ir à escola, deu um exemplo de empreendedorismo ao construir sozinho 2 moinhos de vento para geração de energia na vila em que morava.

A história é comovente e inspiradora. Assistam os 3 vídeos e aplaudam! Mas mais do que aplaudir, inspirem-se!

Este vídeo é do TED 2009, portanto 2 anos depois do vídeo acima. Vejam a desenvoltura do garoto.