Água engarrafada ou água de torneira? Como a sua escolha impacta o planeta?

photo: freeimages.com by Andrew Beierle
Em 20 de Outubro, o New York Times publicou um artigo de Tatiana Schlossberg,  intitulado “Bottledwater ou tap: How much does your choice matter?” que instiga os leitores a responder um questionário sobre o impacto ambiental decorrente da escolha entre beber água engarrafada ou água de torneira e comenta sobre as respostas dadas pelos leitores.
Esse é um assunto que embora pareça se referir à Engenharia ambiental, tem muito a ver com logística e cadeia de suprimentos, uma vez que estamos sistemicamente envolvidos com tudo isso e, também porque é nossa responsabilidade pessoal e profissional contribuir para a sustentabilidade da cadeia de suprimentos. E ainda pelo aspecto da logística reversa que é matéria de nossa preocupação.
Alguns dados dos comentários feitos pela articulista são estarrecedores:

Consumo desproporcional de energia

A Água engarrafada custa até 2.000 vezes mais energia do que a necessária para disponibilizar a mesma quantidade de água potável na rede pública, dependendo do local em que o processamento é feito.  Tatiana alerta que embora ainda existam lugares em que a água da rede pública não seja segura, mesmo as águas engarrafadas podem não estar livre de poluentes, o que agrava a questão.
Considere o gasto desproporcional de energia motivado pelo hábito do consumo de água engarrafada. Nos EUA, que tem uma população em torno de 320 milhões de habitantes, o consumo do produto foi de 49 bilhões de garrafas no último ano.
Além disso, o que fazer com as garrafas?  Em 1950 o consumo global de garrafas plásticas era de 5,5 milhões de toneladas. Em 2009 esse consumo subiu para 100 milhões de toneladas.  Imagine o impacto disso.
Isso sem contar as embalagens plásticas de refrigerantes que, no mesmo período, teve média de 62 garrafas por habitante. 

Para onde vão as embalagens plásticas?

Nos EUA, cerca de 1/3 das garrafas são recicladas mas essa figura cai para apenas 14% no total de embalagens plásticas. Apesar do uso de energia necessário para a reciclagem, a emissão de gases estufa é menor do que o provocado pelos outros 14% que são incinerados,  ou dos 40% que vão para aterros sanitários, com tempo de deterioração ainda não completamente conhecidos mas bastante longos, ao longo do qual emitem gases de efeito estufa e poluentes.
E para onde você pensa que vão os outros 32%?  Se você pensou, para os oceanos, você acertou.  
A maioria dos poluidores marítimos está no sudeste asiático e respondem por 50% do lixo flutuante, mas quem já passou pela Baia da Guanabara sabe bem o tamanho da encrenca.
Globalmente, isso dá algo entre 5 milhões e 13 milhões de toneladas anuais  Apenas 1% disso oferece condições de retirada. O restante vai para o fundo ou é engolido por animais, com severos danos à fauna, ou ainda acaba congelado nas calotas polares.
E mesmo se colonizados por microrganismos durante o processo de decomposição, ainda assim o material plástico é agressivo porque emite substâncias tóxicas que poluem as águas oceânicas.

Esses não são os únicos impactos observados:

Citou-se o consumo de refrigerantes em garrafas plásticas. Essa quantidade, somada à  do refrigerante consumido a partir de latas ou garrafas de vidro, faz com que o consumo médio nos EUA suba para cerca de 100 litros anuais por habitante.  Segundo a Associação Médica Americana, essa é uma das causas da crescente obesidade da população.
E cidadãos obesos gastam mais energia na alimentação, no transporte, e com ar condicionado, agravando sistemicamente o clima.
Além de beber menos refrigerante e menos água engarrafada, que outras ações você poderia tomar para reduzir o impacto ambiental do consumo de plásticos?

Qual seria o impacto logístico das mudanças possíveis nessa área?
Como resolver o nó da logística reversa no caso das embalagens plásticas.

Como garantir a integridade dos produtos durante o transporte – parte 2/2



Na postagem anterior tratamos dos aspectos preparatórios para o carregamento.

Ainda no aspecto da preparação, certifique-se que os meios necessários ao carregamento estão disponíveis e em condições de uso.  Por exemplo: transpaleteiras com a capacidade adequada, os páletes, os lacres, o material de acolchoamento quando necessário, e quando se tratar de caixas soltas, lembre-se de providenciar os meios para que os carregadores não pisem diretamente sobre as caixas.
Cargas perigosas exigem sinalização adequada.
Regras de ouro para a estufagem do veículo:
  1. Distribua o peso da carga uniformemente sobre todo o assoalho do baú ou carroceria.
    O centro de gravidade deve ser o mais baixo possível e tão próximo do centro da área do assoalho quanto possível. A atenção deve ser redobrada quando se está carregando cargas formadas por diversos produtos de volumes e pesos diferentes. Sempre que for possível mantenha juntos os lotes de um mesmo produto ou destinados a um mesmo local.
    O peso também deve ser distribuído de modo a não se concentrar em apenas uma das laterais.
  2. Nunca sobreponha produtos pesados sobre produtos leves.
  3. Nunca sobreponha produtos líquidos ou úmidos sobre produtos secos. As embalagens contendo produtos líquidos deveriam ser sempre estufadas embaixo e sobre uma camada de algum tipo de absorvente como serragem ou estopa para que, no caso de um vazamento, a umidade decorrente ficasse contida e reduzisse os danos aos produtos vizinhos. No entanto, essa prática é muito pouco comum no Brasil.
  4. Mantenha a carga presa principalmente junto à porta através de uma estrutura apropriada feita de sarrafos, ou com elásticos ou cabos. Esse é um cuidado especial com quem vai abrir a porta no destino.
    Calce os espaços entre as embalagens, através de sacos infláveis próprios, ou outro material de preenchimento. Esse é um cuidado essencial aos seus produtos.
  5. O ideal é que a carga não deixe espaços laterais entre as embalagens e as paredes do baú. Se isso acontecer, preencha ou calce para impedir o deslocamento lateral.
  6. Se suas embalagens são auto-suportantes, então empilhe-as canto sobre canto, visto que estes são os pontos de maior resistência vertical. Caso contrário, e principalmente se a carga for composta por diversos produtos, empilhe-as em blocos cruzados.
  7. Veículos carregando produtos perigosos devem ser identificados de acordo com a legislação. Não se esqueça de verificar isso previamente!
  8. Se o centro de gravidade da carga estiver muito distante do centro de gravidade do veículo, não se esqueça de avisar o motorista desse fato.  Faça o mesmo no caso de lateralidade.
  9. Nunca ultrapasse a capacidade de carga do veículo, e tampouco o limite de carga por eixo.
  10. Após fechar a porta do baú, lacre-o, grave o número do lacre e registre-o da maneira apropriada nos documentos de envio.

Como garantir a integridade dos produtos durante o transporte – Parte 1

O cuidado com a integridade dos produtos durante o transporte é fundamental para que seus clientes fiquem satisfeitos e seus custos permaneçam em limiares aceitáveis.
Um dos cuidados fundamentais ao planejar o transporte é conhecer os esforços  a que as cargas estarão sujeitas. Nesta postagem vamos falar resumidamente sobre isso, visto que é um assunto que por si só daria um grande número de postagens. Entretanto, não deixem suas dúvidas dormindo. Escrevam para mim e eu irei respondendo ou tratando do assunto em novas postagens. 
No transporte rodoviário, as acelerações provocadas nos sentidos longitudinal e transversal provocadas pelas curvas, pelas frenagens e arrancadas podem ser altas mas não são as mais importantes. No entanto no sentido vertical, as acelerações causadas por lombadas, buracos, e irregularidades da pista representam cerca de 1,5G podendo mesmo chegar a picos de 6G, lembrando que 1G representa o peso próprio do corpo sob esforço.  
Isso quer dizer que em determinados momentos, uma caixa terá de suportar 6 vezes o seu próprio peso e o das mercadorias empilhadas sobre ela.

Entretanto, só embalagens bem dimensionadas não são suficientes. É preciso que os embarcadores cuidem para que o carregamento de um veículo seja feito de maneira cuidadosa, de modo a garantir que os produtos chegaram íntegros ao destino.

Checklist do veículo

Para começar, vamos iniciar com uma verificação das boas condições do veículo, estabelecendo um checklistque contenha, no mínimo, os seguintes itens:
         Condições gerais do veículo: As condições gerais do veículo estão em conformidade com as regras do CBT e de sua empresa?  
         Estanqueidade: Feche o baú e veja se não vaza luz em nenhum ponto;
         Estado do piso: Plano, íntegro, resistente, sem protuberâncias;
         Limpeza: O baú está sem odores? Não apresenta resíduos de cargas anteriores?
         Obstruções ou pontas de pregos ou parafusos: Não há nenhum ponto no piso ou nas paredes do baú, que possa danificar as embalagens ou ferir alguém?
         Suspensão: A suspensão do veículo está em perfeitas condições (nivelada e alta)?
         Portas: As portas se fecham normalmente?
         Lacre nas portas: Há como lacrar o baú (se conveniente ou necessário)?
         O veículo e/ou baú são apropriados para o(s) destino(s)?
         A origem do veículo e seus documentos foram devidamente verificados?
         Motorista: É habilitado? Está uniformizado?
         Produtos perigosos: Se você vai transportar produtos perigosos, o motorista é capacitado? O veículo tem o kit de segurança adequado aos produtos?
Lembrem-se entretanto, que a checagem das condições dos veículos deve ser muito mais detalhada do que os itens acima. Vale a pena discutir isso com os responsáveis pela frota de sua empresa.

Veículo conferido, vamos aos produtos

         As embalagens estão intactas? (sem amassados, vazamentos, rasgos, etc…)
         As embalagens estão corretamente identificadas?
         Há indicações sobre fragilidade, base da caixa, onde pegar, empilhamento máximo, etc…?
         Os produtos incompatíveis estão devidamente segregados? (por exemplo: aqueles mutuamente contaminantes)
         As quantidades e tipos de produtos a embarcar estão corretamente conferidos e disponíveis?
         Você tem indicações sobre a m³ e o peso de cada caixa a ser embarcada?
E agora faça um plano de estufagem, de modo a garantir que os produtos serão embarcados do modo adequado, o que evitará que sofram danos durante o transporte e o descarregamento:
         A capacidade cúbica do veículo será utilizada ao máximo?  Se não, cuide para que a carga fique fixada firmemente.
         O peso por eixo está sendo respeitado?
         O carregamento está sendo feito na ordem inversa dos descarregamentos, de modo que a conferência e o acesso aos produtos sejam facilitados no momento das entregas?
         Produtos mutuamente incompatíveis estão segregados?
         Produtos pesados, caixas volumosas, produtos líquidos estão na base dos empilhamentos?

Atualmente há software de otimização de cargas disponíveis gratuitamente e online, que auxiliam na elaboração do mapa de carregamento e oferecem o máximo de ocupação para um dado volume do contentor. Apesar de não serem tão sofisticados quanto as versões pagas que dispõem de um leque de funcionalidades adicionais (peso por eixo, formas diferentes de embalagens, etc.), ainda assim permitem uma visão antecipada sobre a quantidade de veículos que será necessária evitando gastos desnecessários com frete.

O próximo passo será o carregamento propriamente dito.  Deixaremos isso para a próxima postagem.
Tenham uma boa semana!

As mudanças na logística para os pequenos empreendedores no e-commerce

O mercado atual é caracterizado pelas mudanças que ocorrem cada vez com maior rapidez, causando disrupções, alterações radicais de cenário, volatilidade da fidelidade dos clientes, migração de clientes entre os canais oferecidos, afinamento da percepção dos clientes para o serviço obtido, exigindo extrema flexibilidade dos atores das cadeias de suprimentos.
Só lojas físicas já não são suficientes!
A migração dos clientes para os canais eletrônicos é inequívoca, e um ponto que vem chamando a atenção dos varejistas é o chamado omnichannel, que se define como uma experiência contínua do consumidor envolvendo todos os canais.
O omnichannel parte do princípio que o consumidor já não distingue o que é off-line do que é online e que tudo precisa estar conectado para que ele obtenha a experiência buscada.
Para os varejistas (principalmente de lojas físicas) isso provoca a necessidade de repensar qual canal deveria merecer os seus maiores esforços, o que normalmente era feito apenas como parte da estratégia da empresa em detrimento da necessidade dos clientes, e passar a centrar-se na experiência total do cliente, sob pena de perder mercado.
Para os serviços logísticos, isso é um enorme desafio porque o controle do estoque precisa ser mais que perfeito, o ciclo do pedido precisa se tornar ainda mais rápido, e os prazos de entrega não podem falhar, sob pena de perder o cliente.
Grandes empresas tem sempre a alternativa de contratar um Operador Logístico capaz de atender essas necessidades sem que o empresário precise desviar os seus próprios recursos de suas atividades centrais.
Entretanto, o que dizer dos pequenos e médios empreendedores que precisam compartilhar os seus estoques entre as lojas físicas e online, e cuidar do processamento de uma infinidade de pequenos pedidos com poucos SKUs e na maior parte das vezes, com apenas uma unidade?
Uma alternativa interessante é passar a ver a sua loja física como um grande cliente, e administrar o estoque a partir dessa perspectiva.
Eu vejo que precisam adotar boas práticas no controle dos seus estoques físicos, utilizando os mesmos cuidados e técnicas que os grandes varejistas. Por exemplo:
• Organize seus armazéns ou depósitos considerando endereços lógicos, e conceitos ergonômicos na utilização de prateleiras e equipamentos de movimentação;
• Dimensione o seu layout procurando a melhor utilização de seu espaço cúbico sem, no entanto perder de vista as facilidades para a movimentação das mercadorias;
• Use algum software ou aplicativo capaz de controlar a quantidade e o posicionamento dos itens em estoque. Um WMS seria ideal mas talvez num primeiro momento, você tenha que utilizar algum recurso digamos criativo e mais em conta;
• Invista na produtividade do processamento dos seus pedidos online, incluindo a separação das mercadorias, sua conferência, embalagem e identificação dos pacotes, bem como para a consolidação dos pedidos segundo os locais das entregas. Isso inclui a utilização de ordens de separação (não use as notas fiscais nessa fase). Determine um local específico para esses procedimentos e utilize bancadas ergonômicas e os equipamentos adequados.
• Reduza a quantidade de embalagens de transporte e não improvise. As embalagens identificam você e transmitem uma imagem sobre sua empresa. Uma embalagem bem dimensionada também reduzirá os seus custos de frete;
• Escolha muito bem seus parceiros de distribuição. Preço não é tudo! Verifique principalmente os aspectos de confiabilidade e consistência do trabalho do parceiro, e se ele conhece bem os seus produtos.

Ikea passará a utilizar páletes de papelão

A rede de lojas de móveis Ikea, que movimenta anualmente cerca de 10 milhões de páletes, passará a utilizar a partir do próximo ano páletes feitos com papelão corrugado dobrado.  Projetados para suportar 750kg, esses páletes são 90% mais leves do que os tradicionais páletes de madeira, além de mais baixos.

Com essa redução de peso e volume a Ikea estima economizar cerca de 200 milhões de dólares anuais em custos de transporte.  Esses páletes são utilizados uma única vez e após a chegada ao destino são reciclados pelos recebedores.

fonte: http://logistics.about.com/b/2011/11/17/ikea-prefers-paper-pallets.htm