Uma reflexão sobre a influência do Big Data para o futuro da Logística

Ultimamente muito se tem falado no ambiente de negócios sobre Big Data, que é algo assim como uma grande farofa cósmica onde se encontram dados à respeito de tudo o que fazemos, nem sabemos que fazemos, desejamos ou talvez venhamos a desejar.
Nem adianta tentar se esconder, se você usa alguma mídia social ou faz pesquisas na internet, algum mecanismo de busca visível ou invisível já capturou seus dados e já conhece seus hábitos, costumes, preferências, e nem se assuste – suas perversões e sua vida secreta (ou você acha que não tem uma?)
E não estamos falando aqui somente das empresas ou organizações como Amazon, Governo dos EUA, CocaCola, WalMart e outros gigantes do mercado, para os quais não existem segredos. Os dados estão aí para quem quiser usar. Facebook, Empresas de gerenciamento de riscos em cartões de crédito, e grandes corporações processam uma zilhões de terabytes de dados sobre seus usuários a cada hora.
Do ponto de vista empresarial, a idéia é aproveitar os dados disponíveis sobre o seu mercado para adicionar valor aos seus produtos e aos serviços destinados aos seus clientes, bem como possibilitar a abertura de novos negócios.

Conceito do Big Data

O conceito de Big Data está embasado em três pilares (os três Vs): Velocidade, Volume e Variedade que foram originalmente descritos por Doug Laney já em 2001.  Hoje já se diz que precisamos de mais Vs para explicar o conceito. Conforme disse Mark van Rijmenan em 2013 no seu blog DataFloq, é importante considerar também a Veracidade, a Variabilidade, a Visualização e o Valor.
 É importante ainda considerar que BigData é algo maior que a capacidade de processamento de uma única empresa. De fato, os especialistas dizem que o volume de dados disponíveis dobra a cada dois anos. Assim, é realmente um imenso desafio garimpá-los e relacioná-los de modo a transformá-los em informações úteis.
O nome do jogo então é: Relacionamento de dados.
A essa altura, alguém poderia estar perguntando: Mas Valter, por que Big Data teria algo a ver com a logística?
Vou então citar três exemplos:

Georeferenciamento

Hoje em dia, os GPS embarcados em nossos celulares já entregam a nossa posição e o modo como nos movimentamos no planeta. Em pouco tempo todos os veículos terão TAGs embarcados em seus computadores de bordo que também fornecerão dados de seus trajetos, além de todo o sensoriamento que já é feito hoje.
A partir do conjunto de dados de movimentação de automóveis, poder-se-á planejar os caminhos e horários mais convenientes para movimentar cargas, fazer entregas, etc. nas grandes cidades, de modo a economizar combustível e reduzir as distâncias e tempos de percurso.  
Se hoje já temos inteligência embarcada suficiente para viabilizar veículos autônomos, imagine o que teremos com todas essas informações adicionais. Será como um Waze turbinado, dentro de pouco tempo.
Atualmente, diversas empresas transportadoras já se utilizam de um mix de dados advindos dos sensores instalados em seus veículos, e outros disponíveis de fornecedores de combustível, oficinas e pousadas, e através do relacionamento desses dados feito por uma interface humana, conseguem orientar seus motoristas sobre onde abastecer, onde pernoitar ou comer, e quanto de dinheiro será necessário para isso.
Entretanto, o papel representado por essa interface humana já vem sendo substituído por algoritmos computacionais que fazem todo o trabalho e ainda dão ao motorista outras informações sobre a manutenção do veículo, sobre condições da carga, das condições de tráfego e outras, rearranjando o sequenciamento das entregas e os trajetos, de modo que a pontualidade não seja afetada.
Essa mesma família de dados também permitirá que o transporte público e serviços de atendimento comunitário sejam racionalizados afim de atender a população mais eficientemente. Já há operações piloto em andamento em algumas cidades europeias e americanas que gerenciam ondas verdes para o tráfego de ambulâncias e bombeiros.

Gerenciadores de pátio

Os gerenciadores de pátio, que hoje se utilizam de dados colhidos manualmente ou, nas versões mais sofisticadas por RFID dos veículos quando adentram as instalações da empresa, podem revisar continuamente as operações do armazém, analisando os dados em tempo real que são transmitidos pelos veículos durante toda a viagem.

Análise preditiva

Na minha visão, a possibilidade de desenvolvimento de previsões mais confiáveis a partir do relacionamento dos dados disponíveis, é um dos grandes trunfos da utilização do BigData, que trará vantagens logísticas, ainda que indiretas.
A partir do conhecimento que se pode adquirir a respeito de nossos clientes, o planejamento das características e usabilidade dos produtos, e dos desejos quanto às embalagens, formas de entrega, prazos, e outros atributos relacionados ao serviço ao cliente podem ser desenhados de forma a reduzir o volume de recursos necessários à armazenagem e distribuição, contribuindo para a sustentabilidade e para a redução da pegada de carbono das atividades logísticas.

Reflexões

Como vemos, estamos vivendo uma época de grandes e rápidas mudanças no modo como trabalhamos. Entretanto, a existência dessa enormidade de dados não terá utilidade nenhuma, a menos que saibamos que agulhas procurar nesse palheiro, quando procurar, e que tipo de informação tirar delas. 
Se isso não estiver muito claro em nossas cabeças, poderemos aumentar os nossos custos de nível de serviço sem acrescentar um pingo de valor para nossos clientes.  Pense nisso!

Como organizar a preparação de seus pedidos para a entrega

Está mais do que claro que nestes dias de competição acirrada, a entrega de valor para o cliente significa muito mais do que ter um bom produto ou uma simples entrega no prazo. 
O cliente do e-commerce não compra apenas um produto, ele compra uma experiência que inclui o produto. 

Como parte do esforço para oferecer esse valor, há muito o que organizar em seu empreendimento de e-commerce para que sua logística corresponda ao seu esforço de marketing e à expectativa de seus clientes. Para contribuir com isso, hoje eu quero tratar a questão da preparação dos pedidos para a entrega. 

Meus custos de preparação aumentaram!

Essa questão é genérica e atinge todos os segmentos de mercado, mas principalmente quando se trata de lojas físicas de autosserviço (como os supermercados e magazines) que começam a vender pela internet os milhares de itens de seus portfólios, muito frequentemente o empreendedor se dá conta que os custos logísticos aumentam ao invés de se reduzirem, porque a separação das mercadorias e a preparação da entrega passam a ser feitos por um colaborador da loja física ou de alguém especialmente contratado para esse serviço, o que na venda tradicional é feito pelo próprio cliente. 

E também com grande frequência essa preparação de pedidos ocorre na própria área de vendas da loja, o que implica em concorrência de espaço com os clientes físicos. 
Além disso, aquilo que é uma vantagem mercadológica – fazer os clientes andarem pela loja toda em busca de produtos – no caso da preparação de pedidos para entrega passa a ser ineficiência. 

Se em armazéns dedicados, um separador de mercadorias chega a utilizar até 50% de seu tempo em deslocamentos, imagine o quanto isso significa em uma área de vendas que não é preparada exclusivamente para esse trabalho. 

Eu preciso de especialistas em meus produtos para separar?

Ao contrário do que se possa imaginar, o separador não precisa necessariamente conhecer os produtos que está separando. O que importa é simplificar o seu trabalho dando-lhe apenas a função de coleta. Desse modo melhoramos a eficiência e aumentamos a flexibilidade da operação. 

Mapeamento

Portanto, uma dica é ter a loja mapeada definindo os endereços de cada produto, de modo que o documento de separação (ou leitor de dados) indique exatamente onde o separador deve ir buscar cada um, o que possibilitará a organização de caminhos mais curtos (portanto mais rápidos). 
Para que seja eficaz, esse mapeamento deve ser sincronizado com quaisquer mudanças que venham a ocorrer. Estudos dizem que um produto não encontrado no endereço gera cerca de 30% de tempo adicional para ser separado. 
(para ler mais sobre técnicas de endereçamento

Simplificação gera eficiência

O documento de separação, ou tela do leitor de dados deverá indicar em primeiro lugar o endereço, e só depois uma descrição do produto e seu código de barras, e por último a quantidade a ser separada. Por segurança, a identificação do cliente deve ser evitada ao máximo nessa fase. Veja que o endereço, a descrição e o código de barras constituem-se em 3 camadas diferentes de identificação contribuindo para evitar erros. 

Uma outra maneira muito interessante para ganhar eficiência na separação é utilizar carrinhos especialmente desenhados para que vários pedidos possam ser separados simultaneamente aproveitando o caminho percorrido pela loja. 
Eu sei que o medo é que produtos de um pedido acabem indo parar na cesta ou na divisória de outro. Entretanto, isso não é argumento suficiente para sequer tentar. Há inúmeros modos de garantir a qualidade do processo e evitar erros. 

Descrição correta dos produtos e manutenção do cadastro

Temos ainda dois problemas que costumam atrapalhar a separação de mercadorias. Um deles diz respeito às alterações nos códigos de barras dos produtos, realizadas pelos fabricantes, muitas vezes devido apenas a mudanças na aparência das embalagens. O produto é o mesmo mas os dois códigos podem coexistir por um tempo no depósito das lojas, e isso poderá confundir o separador ou motivar erros de conferência porque o código do produto físico e do produto que consta no pedido/leitor serão diferentes. 
O outro fator que impacta a eficiência da separação é a descrição do produto no cadastro, que deve ser a mais completa possível e evitar abreviações, que aliás quando necessárias devem ser padronizadas para que todos os produtos que as contenham guardem alguma semelhança. 

Essas providências reduzem a complexidade do processo de separação de mercadorias e consequentemente aumentam a velocidade com que as mercadorias são separadas. 
Em uma próxima postagem tratarei de algumas técnicas de separação simples que poderão agilizar ainda mais a sua preparação de pedidos. 

Até lá!

O cross-docking é mesmo uma boa solução para o e-commerce?

Recentemente eu li uma postagem em um blog institucional de e-commerce falando das vantagens e desvantagens de se utilizar o sistema cross-docking nas empresas do segmento, como forma de aumentar a eficiência das entregas, citando principalmente o fato de que o termo significa “atravessamento de docas” e com isso elimina-se o estoque, reduz-se o tempo e os custos da operação, mas exige muita coordenação entre os atores, etc.

 Isso é parcialmente verdadeiro, entretanto, eu tenho notado uma tendência entre os empresários e profissionais de e-commerce, de utilizar o termo aquém do seu significado, como se fosse adequado para empresas de qualquer tamanho e com qualquer volume de fluxo.
E motivado por isso, resolvi fazer esta postagem.

De fato a expressão cross-docking quer dizer atravessamento de docas, no sentido em que uma mercadoria é encaminhada para o veículo entregador, tão logo seja descarregada do veículo que a trouxe ao Centro de Distribuição ou terminal de transporte.

Movimente as mercadorias uma única vez

O cross-docking atende ao extremo o princípio da movimentação única no armazém. Da doca de entrada para a doca de saída sem nenhuma parada pelo caminho, visando reduzir ao mínimo os custos de manuseio, movimentação e transporte.
Desse modo pressupõe um volume de fluxo que justifique a existência de cargas consolidadas completas do fornecedor (full truck loads) para o lojista e deste para vários destinos ou regiões de entrega (também em full truck loads). A técnica aumenta a velocidade do fluxo e os custos envolvidos justamente por eliminar operações intermediárias e aproveitar melhor os transportes.

Uma utilização típica de cross-docking em seu estado puro pode ser vista a partir do exemplo de um Centro de Distribuição de uma rede de supermercados em que, de um lado diversos fornecedores descarregam carretas de seus produtos em páletes, e essa carga é transferida (ainda em páletes) e embarcada nos diversos veículos destinados a entregá-las em cada uma das lojas da rede.
Assim, tudo o que acontece no CD é a movimentação entre as docas de recebimento e expedição (frequentemente isso é feito de modo automático através de transportadores contínuos).

Hoje, na descrição do conceito aceita-se que pequenos processamentos possam ser realizados mas sempre guardando o princípio do “flowing through” ou “fluxo através de”, com poucas ou nenhuma parada entre o recebimento e a expedição. 

O Cross-Docking não é um Salvador da lavoura

Portanto, muito cuidado ao ler artigos que tratam o cross-docking como uma técnica “salvadora da lavoura” para empreendedores do e-commerce, sem advertir que só é eficiente a partir do recebimento de cargas completas de seus fornecedores e com equivalentes fluxos diários de entregas.

Infelizmente não existe lugar para mágicas, e o custo total é o grande indicador para as tomadas de decisão logísticas. Pense nisso!

As mudanças na logística para os pequenos empreendedores no e-commerce

O mercado atual é caracterizado pelas mudanças que ocorrem cada vez com maior rapidez, causando disrupções, alterações radicais de cenário, volatilidade da fidelidade dos clientes, migração de clientes entre os canais oferecidos, afinamento da percepção dos clientes para o serviço obtido, exigindo extrema flexibilidade dos atores das cadeias de suprimentos.
Só lojas físicas já não são suficientes!
A migração dos clientes para os canais eletrônicos é inequívoca, e um ponto que vem chamando a atenção dos varejistas é o chamado omnichannel, que se define como uma experiência contínua do consumidor envolvendo todos os canais.
O omnichannel parte do princípio que o consumidor já não distingue o que é off-line do que é online e que tudo precisa estar conectado para que ele obtenha a experiência buscada.
Para os varejistas (principalmente de lojas físicas) isso provoca a necessidade de repensar qual canal deveria merecer os seus maiores esforços, o que normalmente era feito apenas como parte da estratégia da empresa em detrimento da necessidade dos clientes, e passar a centrar-se na experiência total do cliente, sob pena de perder mercado.
Para os serviços logísticos, isso é um enorme desafio porque o controle do estoque precisa ser mais que perfeito, o ciclo do pedido precisa se tornar ainda mais rápido, e os prazos de entrega não podem falhar, sob pena de perder o cliente.
Grandes empresas tem sempre a alternativa de contratar um Operador Logístico capaz de atender essas necessidades sem que o empresário precise desviar os seus próprios recursos de suas atividades centrais.
Entretanto, o que dizer dos pequenos e médios empreendedores que precisam compartilhar os seus estoques entre as lojas físicas e online, e cuidar do processamento de uma infinidade de pequenos pedidos com poucos SKUs e na maior parte das vezes, com apenas uma unidade?
Uma alternativa interessante é passar a ver a sua loja física como um grande cliente, e administrar o estoque a partir dessa perspectiva.
Eu vejo que precisam adotar boas práticas no controle dos seus estoques físicos, utilizando os mesmos cuidados e técnicas que os grandes varejistas. Por exemplo:
• Organize seus armazéns ou depósitos considerando endereços lógicos, e conceitos ergonômicos na utilização de prateleiras e equipamentos de movimentação;
• Dimensione o seu layout procurando a melhor utilização de seu espaço cúbico sem, no entanto perder de vista as facilidades para a movimentação das mercadorias;
• Use algum software ou aplicativo capaz de controlar a quantidade e o posicionamento dos itens em estoque. Um WMS seria ideal mas talvez num primeiro momento, você tenha que utilizar algum recurso digamos criativo e mais em conta;
• Invista na produtividade do processamento dos seus pedidos online, incluindo a separação das mercadorias, sua conferência, embalagem e identificação dos pacotes, bem como para a consolidação dos pedidos segundo os locais das entregas. Isso inclui a utilização de ordens de separação (não use as notas fiscais nessa fase). Determine um local específico para esses procedimentos e utilize bancadas ergonômicas e os equipamentos adequados.
• Reduza a quantidade de embalagens de transporte e não improvise. As embalagens identificam você e transmitem uma imagem sobre sua empresa. Uma embalagem bem dimensionada também reduzirá os seus custos de frete;
• Escolha muito bem seus parceiros de distribuição. Preço não é tudo! Verifique principalmente os aspectos de confiabilidade e consistência do trabalho do parceiro, e se ele conhece bem os seus produtos.