Logística para colorir – episódio 3

Eu creio que mais uma vez não aparecerá o video no blog. Esse é um bug que não estou conseguindo consertar, infelizmente. Mas segue o link para garantir que você possa vê-lo. Boa semana. https://youtu.be/8QPdN0t4z14

Quando há um problema, você acha que encontrar uma resposta resolve tudo?

Nada está mais longe da verdade! Encontrar uma resposta não é o último passo. É apenas o passo anterior ao início das ações necessárias para retornar à harmonia.

Para continuar a nossa conversa é preciso que concordemos com alguns axiomas sobre os problemas:

  • Um problema existe quando você tem que relacionar dois ou mais fatos mensuráveis, que estejam em conflito.
    Isso leva a um outro axioma: Todos os elementos causadores do problema devem ser mensuráveis;
  • E antes que você se desespere, saiba que:
    Tudo, sem exceções, é mensurável. Talvez você não saiba como medir algo, mas isso não significa que não possa ser medido.
  • Todo problema tem solução. Também nesse caso não há exceções. Vou repetir: Todo problema tem solução!  E geralmente tem mais do que uma única solução.
  • Para resolver um problema a primeira coisa a fazer é entendê-lo completamente.
É da natureza humana querer encontrar soluções para um problema antes dele ter sido entendido. Quem nunca se pegou botando um equipamento para funcionar antes de ler o manual? Ou começando a desmontar uma máquina quebrada antes de saber as suas características de funcionamento?
Na boa? Evite isso. Entenda primeiramente a natureza do problema, os usos, as funções, e as características do que não está em conformidade com os resultados esperados, e deixe que isso guie a escolha de suas alternativas de solução

E agora sim, alguém poderia apresentar um certo grau de pânico. Para resolver problemas você dependerá em maior ou menor grau, de criatividade, de intuição, e de muita observação. Porque para contar só com a lógica (o que já não é assim tão fácil), você teria que dispor da totalidade dos fatos, o que convenhamos é muito raro no mundo real.

 E agora, o que fazer?

O primeiro passo é aprender a medir.  Já disse em outras oportunidades, aqui mesmo no blog, que só conhece quem mede. E já fiz outras postagens mostrando como como medir, como comparar, e como apresentar os resultados dessas medições.
Um segundo passo importante, é observar o comportamento do sistema que parece ser um problema. Eu disse “parece ser” porque em muitas ocasiões, aquilo que parece ser o problema é na verdade uma consequência do verdadeiro problema.  Portanto, exercite o seu poder de observação – mais dados aqui.
E em terceiro lugar, estabeleça um protocolo de exploração do problema, para que nada seja esquecido.
Você, com certeza, já viu algum vídeo de um sítio de exploração arqueológica com aquelas linhas delimitando quadros no chão. Pois é, aquilo é feito para que nenhum pedaço de terra seja esquecido.
Do mesmo modo, é para isso que servem as listas de checking preenchidas pela tripulação de uma aeronave. Exatamente para que nada tenha sido deixado de lado.
Só assim você poderá ter a certeza de que sua análise foi completa.
Em uma outra postagem, vamos reunir essa abordagem dos problemas, com simplificação do trabalho, e com o assunto que tratamos na semana anterior sobre gerenciamento da mão de obra.
Se gostou desta postagem, comente, dê o seu joinha. E se tiver algum assunto que queira ver desenvolvido, deixe o seu comentário.

Segurança em armazéns

imagem by https://pixabay.com

Você sabia que segundo pesquisas americanas levadas à efeito pela OSHA (Occupational Safety and Health Administration), que é o orgão norte americano que cuida da segurança do trabalho, cerca de 80% dos acidentes em armazéns acontecem na área das docas, que via de regra ocupa apenas 20% da área operacional total das instalações.

Segundo a mesma pesquisa, uma das causas mais comuns são os atropelamentos, principalmente quando os carregamentos/descarregamentos são feitos através da entrada da empilhadeira no interior dos veículos.

Para mitigar esse problema e outros tantos de segurança ocupacional, precisamos pensar em termos de como sinalizar de modo inequívoco as áreas mais perigosas, e como prevenir e eliminar as situações de risco, para o que será importante refletir sobre as seguintes afirmativas:

  1. A segurança é sempre Top – Down. Isso significa que começa pelos níveis superiores de sua hierarquia e deve sempre ser mandatória e não apenas sugestões. O credo de uma das empresas que tenho a honra de atender, diz em uma frase algo assim; “Nenhum trabalho é mais importante do que a segurança dos empregados”. Simples assim!
  2. O treinamento dos envolvidos é imprescindível, e isso exige qualidade de material e instrutores capacitados;
  3. É muito importante conhecer como os colaboradores trabalham. Os métodos de trabalho devem ser documentados e padronizados;
  4. Obtenha o envolvimento dos empregados na discussão e avaliação dos riscos, e na busca de soluções;
  5. Aprofunde-se nos conhecimentos de ergonomia e das demais necessidades físicas, metabólicas e psicológicas dos empregados. Essas são variáveis importantes quando o assunto é segurança;
  6. Avalie os riscos de cada atividade, discuta e esquematize os modos de redução desses riscos;
  7. Avalie as condições do armazém e elimine as condições inseguras (sem dó). Isso inclui iluminação, ventilação, ruídos, obstruções, manutenção de equipamentos e muitas outras coisas.
  8. Investigue a fundo as causas dos acidentes e incidentes. Registre, e trace um plano de ação para cada um.  É uma filosofia desse tipo que torna a aviação tão segura, porque cada acidente é tomado como um meio de aprender a lição e aperfeiçoar o processo para que nunca mais aconteça algo parecido;
  9. Mantenha um canal consistente de comunicação entre todos os níveis. Isso envolve feedback;
  10. Crie métricas que avaliem e valorizem a presença de situações seguras. Faça uma gestão positiva e não apenas das circunstâncias de falta de segurança. Incentive a segurança e a produtividade. Premie, torne públicas as boas ações.

O que fazer para melhorar a segurança?

Há inúmeras ações de segurança e prevençao que exigem pequenos investimentos, e muitas vezes investimento algum, mas que contribuirão para a melhoria do ambiente de trabalho. Ações assim passam despercebidas para a maioria dos gerentes e técnicos de segurança.

Que tal considerar:

  • Mastros flexíveis com bandeirolas para que paleteiras e empilhadeiras sejam visíveis acima dos páletes estacionados e possam ser vistas antecipadamente?
  • Sinalização de solo como faixas de pedestres e bloqueios visuais nos cruzamentos?
  • Espelhos convexos nas esquinas?
  • O uso de coletes ou faixas refletivas nos uniformes de seu pessoal (ao transitar pelos corredores dos armazéns)?
  • Estabelecer regras do tipo: Empilhadeira operando = proibida a passagem de pedestres.
  • O uso de formulários para o registro de condições inseguras, incidentes, e sugestões para a melhoria da segurança?
  • Pintura que destaque os pilares e as obstruções inevitáveis?

Participe ativamente do blog: 

Que outras ações de segurança você conhece ou são aplicadas nos armazéns da sua empresa?

Poste seu comentário, compartilhe suas sugestões.  De um “curtir”. Diga que gostou do que leu.

1.     

Salve 2017 – ainda quase sem uso

Wow!  Estive fora do ar há um tempão!  Minha última postagem aqui no blog aconteceu no dia 30 de Novembro do ano passado, com a segunda parte do artigo sobre o uso de números aleatórios.
Dezembro foi um mês em que circunstancialmente estive bastante ocupado com o final do ano letivo e Janeiro foi um mês para desenvolver o “ócio criativo” durante as férias.

by Eliseeva Ekaterina in www.freeimages.com

Aproveitei para fotografar um pouco, para praticar um pouco de marcenaria, enfim deixar de respirar a poeira de armazém por um período.

E agora estamos de volta. Que todos vocês tenham um excelente 2017 com muitos novos desafios, mas também com muito riso e muitos novos amigos.

Nesta primeira postagem do ano quero falar um pouco sobre a formação complementar, aproveitando a pergunta que me foi feita por um aluno recentemente.

Pessoal:  Antes de sair gastando o suado dinheirão em MBAs e outras especializações com títulos cheios de charme e matrizes curriculares chamativas, e promessas de sucesso parecidas com as de propagandas de cigarro dos anos 1970, pensem um pouco no que realmente querem de suas carreiras.  Tenham calma para decidir a continuidade de suas vidas acadêmicas.

Analisem o que os programas estão lhes oferecendo e suas cargas horárias.  Recentemente eu vi um desses programas oferecendo quase 70 tópicos em sua matriz curricular a ser cumprida em cerca de 400 horas.  Na boa?  Especialização em que?
Muitos dos tópicos oferecidos pelos cursos que pesquisei oferecem o mesmo conteúdo ou muito pouco além do que foi aprendido, ou deveria ter sido, durante a graduação, a um custo altíssimo, sem contar o sacrifício pessoal e o tempo que será consumido.

Pensem também no seguinte: Por que vocês querem uma formação complementar? Se é porque não conseguiram obter o conhecimento necessário durante a graduação, então esse é o motivo errado.
Se querem alavancar os seus salários, procurem saber se, de fato, os cursos que pretendem serão capazes de oferecer isso.  E nesse ponto é muito importante analisar o renome da escola no mercado.

Talvez o melhor seja obter uma formação complementar em uma área afim (um conhecimento paralelo à sua formação principal), ao invés de manter a mesma linha formativa, mas de novo isso depende do rumo que se pretenda dar à carreira.

Não serei leviano a ponto de detonar todos os cursos que existem por aí como caça-níqueis. Mas que eles existem, existem!  Cuidado!

Portanto pessoal, escolham com critério.  E continuem adquirindo conhecimento de todas as fontes possíveis.  No mundo atual, com todas as facilidades trazidas pela internet, só não aprende uma coisa nova por dia quem realmente não quer.  Há cursos excelentes disponíveis gratuitamente.
Ah! Mas são em inglês!   De fato isso não é verdade, há muita coisa em português. Mas daí eu pergunto: Que diabos você fez até agora que ainda não aprendeu inglês???  Está esperando o que?

E para os que ainda não terminaram suas graduações, dediquem-se a ela como se fosse a última chance de aprender algo. Sabe aqueles canudos que vocês recebem na colação de grau?  Vou contar um segredo: Não tem nada dentro.  O único conhecimento que vocês levarão das suas graduações é aquele que ficou guardado no espaço entre a orelha esquerda e a orelha direita.

Façam o seguinte teste. Fechem os olhos, tapem o nariz e dêem um ligeiro “crock” na testa. Se o barulho fizer eco, então moçada eu lamento mas não lhes desejarei um bom 2017.

Números aleatórios e Análise logística

photo by Armin Hanisch www.freeimages.com
Em primeiro lugar vou lhes contar uma triste verdade. O mundo real não é determinístico. Nada nele funciona com a precisão de um relógio ou a certeza de que 2 + 2 = 4.
Sabe aquele mundo dos sonhos em que o comportamento exato da demanda, os prazos de nossos fornecedores, o tamanho e custo dos estoques, o tempo de espera de caminhões no pátio, seriam determinados com exatidão?  Lamento informar, mas esse mundo não existe.
Isso torna as coisas mais “emocionantes” mas, por outro lado, muito mais complicadas para gerenciar.
Porém, nem tudo está perdido. É relativamente fácil simular o comportamento de sistemas probabilísticos através do uso de números aleatórios e do Excel, e desse modo planejar o funcionamento das coisas entre um mínimo e um máximo e não sobre um ponto exato.
Vamos então definir o que são os tais números aleatórios ou randômicos.  Na prática, são números apresentados em uma sequencia sobre a qual não temos nenhum controle. Desse modo, não podemos prever quais serão os próximos. Exatamente como funcionam os resultados das loterias. Gira-se o tambor, e retira-se uma bolinha. Exceto por coincidência ninguém poderá prever o valor dessa bolinha, retirada ao acaso.  Um outro exemplo é uma roleta ou o lançamento de dados em um cassino. No lançamento de um dado não viciado você sabe que o resultado estará entre 1 e 6 mas sua certeza acaba aí.

Usando o Excel como gerador de aleatórios

No excel, a aleatoriedade é dada pela função “aleatório”. Em uma planilha vazia, experimente colocar em uma célula a expressão =aleatório().  Em seguida, recalcule clicando na tecla F9.  A cada vez que você clicar na tecla F9 , você verá que o resultado apresentado na célula muda completamente ao acaso, tornando impossível prever qual será o próximo número a ser apresentado.
A utilidade dos números aleatórios para a análise logística, acontece exatamente porque nos permite simular o acaso dos eventos futuros em qualquer processo.
Ora, você poderia me perguntar agora: Mas para que serve um número sobre o qual eu não tenho controle?  
Aí é que está a mágica. Você pode utilizá-los para simular uma dada distribuição de probabilidades.
Para isso o fundamental é que você já tenha algum conhecimento das funções lógicas do Excel (pelo menos que você saiba usar a função “SE”), e em segundo lugar, é claro que você precisa conhecer o que são distribuições de probabilidade.
A má notícia é que se você achou que eu falei grego, então desculpe mas você só tem duas escolhas:
Ou corre atrás desses conhecimentos agora, ou trate de arrumar outra coisa pra fazer porque logística não é uma atividade para você.
Mas antes de se desesperar, acompanhe um exemplo:
Digamos que você precise gerenciar a capacidade de armazenagem em seu armazém. Você tem uma única empilhadeira que pelas suas observações, dá conta de armazenar 25 páletes por hora em média, com variações dependendo da distância percorrida em cada evento.
Lembre-se que isso é um exemplo, visto que o desempenho de uma empilhadeira varia de acordo com o regime de trabalho, layout, e vários outros fatores.
Seu cliente tem exatos 200 páletes para armazenar à cada jornada diária de 8 horas, mas você pagará uma multa se deixar um único pálete no chão ao final do dia, durante os 100 dias da vigência do contrato.  

Você toparia o contrato?

Se você disse um enfático SIM sem maiores análises, eu me preocupo com a sua carreira.

De fato 200/8 = 25, o que faz parecer que uma única empilhadeira daria conta do trabalho.
Entretanto, antes de tomar qualquer decisão você deve conhecer a distribuição dos tempos de armazenagem de sua empilhadeira. Em quantas vezes foram armazenados mais do que 25 páletes por hora?  Em quantas vezes foram armazenados menos páletes? 
Em nossa próxima postagem, falarei sobre como simular essa operação no Excel, usando a função “aleatório” e a função lógica “se”. 
Espero que você seja um dos que não aceitariam o contrato. Ao final da simulação você ficará surpreso com a quantidade de multas que teria que pagar.  
Até a próxima postagem.

Medindo o sucesso na sua operação

Photo by Alfonso Diaz in Freeimages.com

Em meu trabalho como consultor de produtividade e logística, sou questionado recorrentemente por Atacadistas e Distribuidores sobre como reduzir seus custos de distribuição, como aumentar a produtividade do grupo de trabalho, como aumentar a fidelização dos clientes, e como melhorar a motivação dos funcionários.

Muitas vezes as soluções para esses problemas são buscadas através de novas técnicas de venda, em ações de marketing, em seminários motivacionais milagrosos, e muitas vezes nas teorias de muitos dos novidadeiros profissionais que andam por aí.

É preciso ter visão sistêmica

Como profissional de logística e crente ardoroso da teoria de sistemas, que diz que: “a otimização das partes não leva automaticamente à otimização do todo”, eu devo lembrar que nenhuma ação comercial ou motivacional trará bons resultados se tomada isoladamente.
Eu não concebo o sucesso se não houver uma equipe comercial de ponta, e uma retaguarda com pessoal treinado, bom layout, bons equipamentos, e um bom sistema de gestão ligando tudo.

Você também já deve ter ouvido por aí, aquele que é um dos meus ditados prediletos: “Se você não consegue medir, também não consegue gerenciar”.
Portanto, somente um bom sistema de movimentação e armazenagem de mercadorias, métodos de trabalho ergonômicos e racionais, bons sistemas de informação (não necessariamente computacionais), e um efetivo controle dos custos e da produtividade, poderão em conjunto, oferecer uma base sólida para sustentar todas as outras ações visando alcançar o sucesso empresarial.

Descubra suas métricas críticas

Então, o corolário daquele ditado deve ser:
“Se você não estiver medindo a coisa certa, então terá muito trabalho para gerenciar seu negócio”.

Há muitas variáveis que definem o sucesso na distribuição de bens e serviços, mas do ponto de vista estritamente logístico, há apenas alguns indicadores chave que realmente fazem a diferença e eles incluem o peso e/ou o volume, a quantidade de entregas e de itens, e os recursos utilizados.
Para que o gerenciamento seja eficaz, os controles dessas variáveis devem focar nas áreas de custos, de serviços, e de produtividade.

Analise o seu negócio e veja se você tem elementos para responder as questões apresentadas abaixo?

    • Quais são seus custos por unidade entregue no cliente?
    • Qual o seu custo percentual da distribuição em relação ao seu faturamento?
    • Qual o custo por m3, ou por tonelada distribuída?
    • Qual o percentual de suas entregas que são feitas no prazo combinado?
    • Qual o percentual de seus pedidos que são entregues corretamente em produtos e quantidades?
    • Qual o percentual de produtos não atendidos por falta no seu estoque?
    • Qual o tempo de cada entrega?
    • Qual é o seu custo por quilometro rodado?
    • Quantas linhas de pedido seu pessoal separa por hora?
    • Qual o percentual de utilização de seus veículos?

                    Como pode ser percebido, os indicadores acima dependem da análise dos dados coletados sistematicamente durante algum tempo, de modo que haja consistência quanto às curvas de distribuição de cada grandeza, ou pelo menos de suas médias e da variação das figuras encontradas.

                    Um primeiro passo para o sucesso de suas medições é:

                    • Defina previamente quais dados serão coletados, de que forma, e por quem, seguido de um plano viável para analisá-los e torná-los facilmente interpretáveis.

                    Isso lhe dará uma clara idéia do ponto em que sua empresa está.

                    Em seguida:

                    • Estabeleça um plano de ação para tomar decisões sobre as figuras resultantes. Para isso, será preciso também estabelecer claramente os critérios de comparação e as metas que devem ser atingidas.

                    Use metas desafiadoras

                    Não me venha com “reduzir em 1,5% o tempo de minhas entregas” , ou “reduzir 0,5% do meu custo de entrega”, porque isso não desafia ninguém.
                    No primeiro ano só será possível comparar os dados resultantes contra seu orçamento. No segundo ano do controle, você já poderá compara-los contra a realidade do ano anterior e apurar os seus ganhos ou suas perdas.

                    Não perca tempo! Examine as tendências negativas e estabeleça um plano de ação – documentado – para melhoria desses indicadores num tempo definido.

                    Por exemplo: 6 meses.E por último mas não de menos importância:
                    Lembre-se que não basta “decretar” as metas. É preciso que seu pessoal comprometa-se em atingi-las.
                    Para isso escolha indicadores objetivos, que possam ser facilmente interpretados por todos os seus colaboradores.


                    Você ficará surpreso com os resultados obtidos!

                    Aproveite que terminou a sua leitura, curta e deixe um comentário sobre os seus indicadores.

                    Esta postagem revisa o artigo escrito em 02/03/2009

                    Análise ABC – Como fazer isso de modo simples?

                    Nesta Segunda-feira perguntaram-me sobre como fazer análises de prioridade utilizando o conceito ABC, também conhecido como regra (ou lei) de Pareto,  ou ainda o famoso 80/20.

                    Eu presumo que todos conhecem o começo da história, Vilfredo Pareto foi um economista italiano que na última década do século XIX publicou um livro em que teorizava o seu princípio sobre a distribuição da riqueza. Dizia ele que esta não se dava de maneira uniforme, mas sim com grande concentração em uma pequena parcela da população, e que essa ordenação era historicamente recorrente.

                    A partir da segunda metade do século XX esse princípio, originalmente econômico, passou a ser empregado de modo difuso em todas as áreas em que se precisa analisar a distribuição de algo.

                    O princípio de Pareto na prática

                    Quando temos um grande volume de dados para analisar, tentar dar a todos a mesma importância é o caminho para o desastre. Então, o que você precisará fazer é usar uma ferramenta para relativizar a importância de cada um deles, ou de cada família quando assim puder agrupá-los.

                    Vou desenvolver um exemplo considerando uma loja com um portfólio de 100 produtos.

                    Imagine que você queira estabelecer uma regra para fazer inventários (contagens físicas) cíclicas do estoque, de modo a prevenir erros e garantir que não perderá vendas por faltas no estoque.

                    Você contaria esse estoque diariamente? Semanalmente? Mensalmente?  Quantos e quais itens de cada vez?

                    De cara você ira se deparar com a dificuldade de contar o estoque de todos os itens com a frequência que imagine suficiente para garantir a acuracidade do estoque.
                    É aí que entra o Signore Pareto, e também é aí que entra a importância de estabelecer algum critério para orientar essa priorização, bem como o intervalo de tempo em que você contará os itens de cada estrato dessa priorização.

                    Mas como priorizar?

                    Qual será o fator de priorização a ser utilizado?  O valor unitário? O valor total do estoque? A popularidade de cada produto (a quantidade de vezes que ele é vendido por unidade de tempo)?  O valor total das vendas por unidade de tempo?

                    Veja que escolher o fator de priorização será fundamental para arranjar os dados.  A essa altura você poderia me perguntar: Mas que fator eu deveria utilizar?   A minha resposta é: Não existe uma única receita. Isso dependerá da natureza do que está sendo classificado, de seu valor intrínseco para o negócio, da sua criticidade (imagine um item crucial para seus clientes), dentre outras possibilidades. O seu conhecimento do negócio será o seu melhor guia.

                    Do mesmo modo, você precisará escolher a frequência com que cada grupo: A, B, C será contado.
                    Digamos que você decida contar diariamente os itens A, semanalmente os itens B, e mensalmente os itens C.  Essa seria uma regra bem razoável para um estoque de 100 itens.

                    A boa escolha desses parâmetros é o que separa os bons analistas dos analistas medíocres.

                    Só por hipótese, imagine que o melhor seja priorizar os seus itens de maior valor total no estoque.
                    Liste então todos os seus itens em uma planilha Excel ou semelhante, colocando em colunas diferentes a identificação do produto, o seu valor unitário, a quantidade em estoque, e o valor total do estoque (valor unitário x quantidade de unidades em estoque).

                    Isso feito, ordene a lista do maior valor para o menor valor e, ao final, some o valor do estoque linha a linha de modo a obter o valor total do estoque.

                    Para saber qual o percentual que cada item representa em seu estoque, divida o valor do estoque individual (cada linha) pelo valor do estoque total.

                    Encare o Princípio de Pareto como uma orientação

                    E agora, sabendo que os itens estão ordenados do maior valor para o menor valor e por isso do maior percentual para o menor percentual, use uma coluna adicional e vá somando os percentuais de cada linha, de modo que possa ver quando esse percentual atingirá uma figura próxima dos 80%.     É muito provável que ao contar as linhas (lembre-se que no exemplo existem só 100 produtos) essa figura estará próxima do vigésimo produto.

                    A distribuição chamada de Pareto é uma distribuição exponencial com uma curva típica. A distribuição dos seus itens vs valores poderá não seguir estritamente os 80/20 mas ainda assim poderá ser classificada do mesmo modo e o ajudará na sua priorização.  Talvez você encontra 75% do valor em 20% dos itens, ou 80% do valor em apenas 15% dos itens. Não se preocupe.  Utilize o primeiro limite encontrado.

                    Esses serão os produtos classe A, que você deverá contar diariamente.

                    Costuma-se usar como classe C, os itens que representam os últimos 5% do valor total, mas alguns autores simplificam isso classificando como C a metade final dos itens (o que frequentemente dá na mesma).  Portanto esses devem ser contados mensalmente.

                    E os itens B são os que sobram no meio dos dois estratos.

                    Uniformize a quantidade de itens que devem ser contados por dia

                    O segredo do sucesso para uniformizar a contagem cíclica, é que você deve dar aos seus conferentes um número razoavelmente constante de itens por dia.
                    Desse modo, divida os itens classe B pelos dias úteis da sua semana para obter quantos serão contados a cada dia. Faça o mesmo com os itens classe C.

                    E para eleger quais dentre eles estarão na lista de itens a contar a cada dia você poderá utilizar algum critério aleatório, ou analisar quais itens ainda não contados (das classes B ou C) estão com os estoques mais baixos – isso reduzirá o trabalho da contagem – ou ainda utilizar algum outro protocolo que possa ser entendido facilmente pelo seu pessoal mas que elimine a possibilidade de manipulação.

                    Esse foi apenas um exemplo de como utilizar a classificação.

                    Espero que as dicas tenham sido úteis.

                    Compartilhe os modos como a regra de Pareto tem sido útil ao seu negócio. Curta e poste um comentário.

                    Oportunidades de melhoria no slotting*

                    Na postagem que fiz em 08 de Junho, sobre os riscos de aumentar a variedade de itens em seu portfólio, prometi fazer uma postagem à respeito da análise de séries históricas como instrumento para a previsão da demanda. Aqui está ela.

                    Aviso: A previsão baseada em séries históricas é apenas uma das muitas técnicas quantitativas tratadas na bibliografia sobre o tema e pode ser aplicada sempre que houver um padrão recorrente no comportamento da variável sob                                                                                           análise.

                    Quantidade ou popularidade?

                    Um primeiro e necessário esclarecimento, é que na imensa maioria dos casos que já analisei, para localizar os produtos é mais importante que saibamos a quantidade de visitas feitas por endereço/produto, do que propriamente a quantidade que foi coletada em cada visita.  Portanto, é importante que para alocar produtos nos endereços de separação, possamos ter os dados sobre a popularidade, enquanto que para dimensionar o tamanho dos endereços precisaremos ter dados sobre as quantidades movimentadas no mesmo período.

                    O que eu vejo por aí com muita frequência é a utilização indiscriminada de médias aritméticas como base para fazer os dimensionamentos internos do armazém. Fica claro que sempre que essa série histórica contiver uma certa tendência de aumento ou redução, a média dará um resultado inadequado.  No outro extremo está o dimensionamento pelo pico do período, que eu nem preciso dizer que é uma receita para rasgar dinheiro.

                    Racionalizando o caminho dos separadores

                    As previsões de demanda (não importando como são feitas) tem entre outras coisas, o caráter óbvio de permitir o dimensionamento dos endereços dos produtos na área de separação, que é o objeto desta postagem. Mas além disso, devem permitir também que os produtos possam ser dispostos nos endereços mais adequados, de modo a racionalizar o caminho dos separadores.
                    Essa análise é muito importante nos casos daqueles produtos de forte sazonalidade e que numa determinada estação do ano sejam campeões de venda, enquanto que em outra tenham procura pequena ou nula.

                    Para corrigir essa distorção e evitar que  produtos sem expectativa de venda no próximo período não fiquem ocupando posições “nobres” em seu layout eu recomendo que o slotting* seja constantemente monitorado e readequado através da análise de seus dados históricos em séries que reproduzam os ciclos sazonais, e que se utilize algum modelo de previsão de demanda.

                    Que modelo utilizar?

                    Se você já utiliza um ERP a escolha do modelo dependerá em grande extensão da facilidade de integração com seu sistema.  Se você não usa um sistema desse tipo, ou a integração seja inviável, escolha algo que tenha simplicidade suficiente para ser utilizada através de planilhas Excel, e que trabalhe bem com a variabilidade de seu histórico.

                    Poderão ser utilizado modelos baseados em técnicas como a Suavização exponencial; Médias Móveis Ponderadas (MMP), ou até mesmo Redes Neurais Artificiais, que trabalham bem os fatores de sazonalidade mas demandam processamento complexo.  Seria desnecessário detalhar aqui os detalhes de cada uma visto que já existem excelentes tutorias gratuitos disponíveis na web.
                    É preciso lembrar que o ótimo é inimigo do bom e que não existem previsões perfeitas. Minha crença é que deve ser utilizado o modelo mais simples capaz de lhe fornecer previsões razoáveis, o que faria a minha escolha recair sobre um dos modelos de Suavização Exponencial ou MMP.

                    A suavização exponencial tem a característica de diferenciar os dados recentes, que são mais valorizados, dos mais antigos que influenciam menos no resultado. As médias móveis oferecem resultados mais pobres, entretanto são muito mais simples de calcular e em certos casos oferecem resultados bastante úteis.

                    Uma vez que tenhamos um banco de dados com a quantidade de visitas de cada endereço, um Mapa de Calor (Heat Map) também é uma ferramenta visual muito útil para identificar onde se concentram as visitas em um dado período.

                    Tire suas dúvidas

                    O objetivo desta postagem foi dar uma visão geral sobre o assunto “previsão” que é bastante complexo para ser tratado apenas através das postagens. Se você tem dúvida ou deseja mais esclarecimentos sobre esta postagem ou alguma anterior, não hesite, deixe sua pergunta nos comentários, que terei muita satisfação em respondê-las.

                    * slotting é o termo que designa a alocação de cada produto no nicho/endereço mais adequado.