Como garantir a integridade dos produtos durante o transporte – parte 2/2



Na postagem anterior tratamos dos aspectos preparatórios para o carregamento.

Ainda no aspecto da preparação, certifique-se que os meios necessários ao carregamento estão disponíveis e em condições de uso.  Por exemplo: transpaleteiras com a capacidade adequada, os páletes, os lacres, o material de acolchoamento quando necessário, e quando se tratar de caixas soltas, lembre-se de providenciar os meios para que os carregadores não pisem diretamente sobre as caixas.
Cargas perigosas exigem sinalização adequada.
Regras de ouro para a estufagem do veículo:
  1. Distribua o peso da carga uniformemente sobre todo o assoalho do baú ou carroceria.
    O centro de gravidade deve ser o mais baixo possível e tão próximo do centro da área do assoalho quanto possível. A atenção deve ser redobrada quando se está carregando cargas formadas por diversos produtos de volumes e pesos diferentes. Sempre que for possível mantenha juntos os lotes de um mesmo produto ou destinados a um mesmo local.
    O peso também deve ser distribuído de modo a não se concentrar em apenas uma das laterais.
  2. Nunca sobreponha produtos pesados sobre produtos leves.
  3. Nunca sobreponha produtos líquidos ou úmidos sobre produtos secos. As embalagens contendo produtos líquidos deveriam ser sempre estufadas embaixo e sobre uma camada de algum tipo de absorvente como serragem ou estopa para que, no caso de um vazamento, a umidade decorrente ficasse contida e reduzisse os danos aos produtos vizinhos. No entanto, essa prática é muito pouco comum no Brasil.
  4. Mantenha a carga presa principalmente junto à porta através de uma estrutura apropriada feita de sarrafos, ou com elásticos ou cabos. Esse é um cuidado especial com quem vai abrir a porta no destino.
    Calce os espaços entre as embalagens, através de sacos infláveis próprios, ou outro material de preenchimento. Esse é um cuidado essencial aos seus produtos.
  5. O ideal é que a carga não deixe espaços laterais entre as embalagens e as paredes do baú. Se isso acontecer, preencha ou calce para impedir o deslocamento lateral.
  6. Se suas embalagens são auto-suportantes, então empilhe-as canto sobre canto, visto que estes são os pontos de maior resistência vertical. Caso contrário, e principalmente se a carga for composta por diversos produtos, empilhe-as em blocos cruzados.
  7. Veículos carregando produtos perigosos devem ser identificados de acordo com a legislação. Não se esqueça de verificar isso previamente!
  8. Se o centro de gravidade da carga estiver muito distante do centro de gravidade do veículo, não se esqueça de avisar o motorista desse fato.  Faça o mesmo no caso de lateralidade.
  9. Nunca ultrapasse a capacidade de carga do veículo, e tampouco o limite de carga por eixo.
  10. Após fechar a porta do baú, lacre-o, grave o número do lacre e registre-o da maneira apropriada nos documentos de envio.

Como garantir a integridade dos produtos durante o transporte – Parte 1

O cuidado com a integridade dos produtos durante o transporte é fundamental para que seus clientes fiquem satisfeitos e seus custos permaneçam em limiares aceitáveis.
Um dos cuidados fundamentais ao planejar o transporte é conhecer os esforços  a que as cargas estarão sujeitas. Nesta postagem vamos falar resumidamente sobre isso, visto que é um assunto que por si só daria um grande número de postagens. Entretanto, não deixem suas dúvidas dormindo. Escrevam para mim e eu irei respondendo ou tratando do assunto em novas postagens. 
No transporte rodoviário, as acelerações provocadas nos sentidos longitudinal e transversal provocadas pelas curvas, pelas frenagens e arrancadas podem ser altas mas não são as mais importantes. No entanto no sentido vertical, as acelerações causadas por lombadas, buracos, e irregularidades da pista representam cerca de 1,5G podendo mesmo chegar a picos de 6G, lembrando que 1G representa o peso próprio do corpo sob esforço.  
Isso quer dizer que em determinados momentos, uma caixa terá de suportar 6 vezes o seu próprio peso e o das mercadorias empilhadas sobre ela.

Entretanto, só embalagens bem dimensionadas não são suficientes. É preciso que os embarcadores cuidem para que o carregamento de um veículo seja feito de maneira cuidadosa, de modo a garantir que os produtos chegaram íntegros ao destino.

Checklist do veículo

Para começar, vamos iniciar com uma verificação das boas condições do veículo, estabelecendo um checklistque contenha, no mínimo, os seguintes itens:
         Condições gerais do veículo: As condições gerais do veículo estão em conformidade com as regras do CBT e de sua empresa?  
         Estanqueidade: Feche o baú e veja se não vaza luz em nenhum ponto;
         Estado do piso: Plano, íntegro, resistente, sem protuberâncias;
         Limpeza: O baú está sem odores? Não apresenta resíduos de cargas anteriores?
         Obstruções ou pontas de pregos ou parafusos: Não há nenhum ponto no piso ou nas paredes do baú, que possa danificar as embalagens ou ferir alguém?
         Suspensão: A suspensão do veículo está em perfeitas condições (nivelada e alta)?
         Portas: As portas se fecham normalmente?
         Lacre nas portas: Há como lacrar o baú (se conveniente ou necessário)?
         O veículo e/ou baú são apropriados para o(s) destino(s)?
         A origem do veículo e seus documentos foram devidamente verificados?
         Motorista: É habilitado? Está uniformizado?
         Produtos perigosos: Se você vai transportar produtos perigosos, o motorista é capacitado? O veículo tem o kit de segurança adequado aos produtos?
Lembrem-se entretanto, que a checagem das condições dos veículos deve ser muito mais detalhada do que os itens acima. Vale a pena discutir isso com os responsáveis pela frota de sua empresa.

Veículo conferido, vamos aos produtos

         As embalagens estão intactas? (sem amassados, vazamentos, rasgos, etc…)
         As embalagens estão corretamente identificadas?
         Há indicações sobre fragilidade, base da caixa, onde pegar, empilhamento máximo, etc…?
         Os produtos incompatíveis estão devidamente segregados? (por exemplo: aqueles mutuamente contaminantes)
         As quantidades e tipos de produtos a embarcar estão corretamente conferidos e disponíveis?
         Você tem indicações sobre a m³ e o peso de cada caixa a ser embarcada?
E agora faça um plano de estufagem, de modo a garantir que os produtos serão embarcados do modo adequado, o que evitará que sofram danos durante o transporte e o descarregamento:
         A capacidade cúbica do veículo será utilizada ao máximo?  Se não, cuide para que a carga fique fixada firmemente.
         O peso por eixo está sendo respeitado?
         O carregamento está sendo feito na ordem inversa dos descarregamentos, de modo que a conferência e o acesso aos produtos sejam facilitados no momento das entregas?
         Produtos mutuamente incompatíveis estão segregados?
         Produtos pesados, caixas volumosas, produtos líquidos estão na base dos empilhamentos?

Atualmente há software de otimização de cargas disponíveis gratuitamente e online, que auxiliam na elaboração do mapa de carregamento e oferecem o máximo de ocupação para um dado volume do contentor. Apesar de não serem tão sofisticados quanto as versões pagas que dispõem de um leque de funcionalidades adicionais (peso por eixo, formas diferentes de embalagens, etc.), ainda assim permitem uma visão antecipada sobre a quantidade de veículos que será necessária evitando gastos desnecessários com frete.

O próximo passo será o carregamento propriamente dito.  Deixaremos isso para a próxima postagem.
Tenham uma boa semana!

Como carregar um veículo de maneira perfeita

Inicialmente vamos falar resumidamente sobre as acelerações às quais estão sujeitas as cargas rodoviárias.

No sentido longitudinal e transversal, a aceleração provocada pelas frenagens e arrancadas não são as mais importantes. No entanto no sentido vertical, as acelerações causadas por lombadas, buracos, e irregularidades da pista representam cerca de 1,5G podendo mesmo chegar a picos de 6G.


É por esse motivo que os embarcadores precisam cuidar para que o carregamento de um veículo seja feito de maneira cuidadosa, o que se consegue seguindo algumas regras básicas:

Verifique seus produtos:

  • As embalagens estão intactas? (sem amassados, vazamentos, rasgos, etc…)
  • As embalagens estão corretamente identificadas?
  • Os produtos incompatíveis estão devidamente segregados? (por exemplo: aqueles mutuamente contaminantes)
  • As quantidades e tipos estão corretamente conferidas e disponíveis?
  • Planeje a estufagem:
  • O planejamento da estufagem de seu veículo garante que os produtos não sofrerão danos durante o transporte e o descarregamento?

  • A capacidade cúbica do veículo será utilizada ao máximo?
  • A conferência e o acesso aos produtos serão facilitados no momento do descarregamento?
  • Disponibilidade de equipamentos:
    O tempo gasto no carregamento também é importante e indicativo da qualidade de seu processo. Antes do início do carregamento você se assegurou que os meios necessários estão disponíveis? A carga está conferida e achada OK? E as Paleteiras, páletes, lacres, material de acolchoamento, etc…estão disponíveis para uso?

Checagem do veículo:

Verifique se o veículo está em boas condições conferindo:

  • Estanqueidade (feche o baú e veja se não vaza luz em nenhum ponto),
  • Estado do piso (plano, íntegro),
  • Limpeza (está sem odores? Não apresenta resíduos de cargas anteriores?
  • Não há obstruções ou pontas (de pregos ou parafusos) no piso ou nas paredes do baú, que possam danificar as embalagens ou ferir alguém?
  • A suspensão do veículo está em perfeitas condições (nivelada e alta)?
  • As portas se fecham normalmente?
  • Há como lacrar o baú (se conveniente ou necessário?
  • O veículo e/ou baú são apropriados para o(s) destino(s)?
  • A carga não vai exceder o peso por eixo?
  • A origem do veículo e seus documentos foram devidamente verificados?
  • Se você vai transportar produtos perigosos o motorista é capacitado? O veículo tem o kit de segurança?

Regras de ouro para a estufagem do veículo:

  1. Distribua o peso da carga uniformemente sobre todo o assoalho. O centro de gravidade deve ser o mais baixo possível e tão próximo do centro quanto possível. A atenção deve ser redobrada quando se está carregando cargas formadas por diversos produtos. Sempre que for possível mantenha juntos os lotes de um mesmo produto ou destinados a um mesmo local.Não se esqueça da distribuição de peso sobre os eixos.
  2. Nunca sobreponha produtos pesados sobre produtos leves.
  3. Nunca sobreponha produtos líquidos ou úmidos sobre produtos secos. As embalagens contendo produtos líquidos deveriam ser sempre estufadas embaixo e sobre uma camada de algum tipo de absorvente como serragem ou estopa para que, no caso de um vazamento, a umidade decorrente ficasse contida e reduzisse os danos aos produtos vizinhos. No entanto, essa prática é muito pouco comum no Brasil.
  4. Mantenha a carga presa principalmente junto à porta através de uma estrutura apropriada feita de sarrafos, ou com elásticos ou cabos. Esse é um cuidado especial com quem vai abrir a porta no destino.
    Calce os espaços entre as embalagens, através de sacos infláveis ou outro material de preenchimento. Esse é um cuidado essencial aos seus produtos.
  5. O ideal é que a carga não deixe espaços laterais entre as embalagens e as paredes do baú. Se isso acontecer, preencha ou calce para impedir o deslocamento lateral.
  6. Se suas embalagens são auto-suportantes, então empilhe-as canto sobre canto, visto que estes são os pontos de maior resistência vertical. Caso contrário, e principalmente se a carga for composta por diversos produtos, empilhe-as em blocos cruzados.
  7. Veículos carregando produtos perigosos devem ser identificados de acordo com a legislação. Não se esqueça de verificar isso previamente!
  8. Se o centro de gravidade da carga estiver muito distante do centro de gravidade do veículo, não se esqueça de avisar o motorista desse fato.
  9. Nunca ultrapasse a capacidade de carga do veículo.
  10. Após fechar a porta do baú, lacre-o, grave o número do lacre e registre-o da maneira apropriada nos documentos de envio.

Custos escondidos no transporte e na exportação

Quando se fala sobre exportação, invariavelmente o que nos vem à cabeça é o transporte marítimo e a utilização do cofre de carga, mais conhecido como conteiner, como a melhor maneira de reduzir os custos envolvidos no processo.
Quaisquer tipos de mercadorias, sejam elas líquidos, gás, granéis sólidos, caixas ou engradados podem ser transportados via conteineres. A padronização de tamanhos, a capacidade de carga e a inviolabilidade, fazem dos conteineres um dos mais versáteis meios para se transportar mercadorias uma vez que se adaptam perfeitamente tanto ao transporte marítimo quanto ao rodoviário e ferroviário utilizados nas pontas. Desse modo, seu uso contribui para eliminar o manuseio da carga nos diversos pontos de transbordo permitindo que se obtenha ganhos logísticos importantes tanto pela redução de custos de mão de obra quanto pela redução no índice de avarias nos produtos.
Porém aos exportadores iniciantes lembramos que usar conteiner não garante que o seu produto chegue intacto ao seu destino.
Nós que vivemos no Brasil e infelizmente convivemos no dia a dia com o péssimo estado de pavimentação de uma grande maioria de nossas vias sabemos intuitivamente que a carga sofre esforços importantes durante o transporte, que invariavelmente se traduzem em danos e assumem a forma de reclamações de nossos clientes relacionadas com caixas amassadas, produtos quebrados ou danificados, etc…
Mas será que os buracos nas estradas são os únicos responsáveis pelos danos aos produtos?
Há uma gama de esforços dinâmicos que são transmitidos ao produto durante o transporte, independente do estado das estradas, e que são devidos à aceleração, frenagens, curvas, vibrações, etc…
Por exemplo:
• Transportes aéreos são caracterizados por transmitir esforços de vibração de alta freqüência.
• O transporte rodoviário transmite principalmente esforços verticais motivados pela suspensão dos veículos e por solavancos da estrada, esforços esses que podem chegar em condições extremas até a 15 vezes o peso do produto.
• Transportes ferroviários por outro lado transmitem intensos esforços horizontais (também da ordem de 15 vezes o peso do produto) por conta dos choques durante o engate dos vagões.
• E transportes marítimos apesar de sujeitarem as cargas a esforços menores, estes ocorrem tanto na vertical quanto na horizontal motivados pelos movimentos do navio. No momento das manobras dos conteineres pelos guindastes os choques podem chegar a mais de 5 vezes o peso do produto.
Além disso, a umidade aprisionada dentro do conteiner no momento em que é fechado pode se condensar sobre seus produtos durante as noites frias ocasionando danos por corrosão ou fungos.
Muitos exportadores iniciantes, por puro desconhecimento da ocorrência desses esforços não se dão ao trabalho de reestudar suas embalagens e proteger melhor os produtos para o transporte achando que se as caixas suportam o empilhamento então estão bem dimensionadas. Desse modo continuam tomando prejuízos e causando insatisfação aos seus clientes.
A equação dos custos logísticos deve levar em conta não só aqueles mais conhecidos como: armazenagem, movimentação e frete, mas também o custo intrínseco da caixa ou engradado e os acessórios de acolchoamento e protetores contra umidade, fungos e corrosão, e por outro lado levar em conta que eventuais custos adicionais nesses elementos podem reduzir em muito as perdas por danos, avarias e importadores descontentes.
Portanto, exportar não é simplesmente colocar seus produtos num conteiner mas obter previamente informações sobre toda a cadeia de transporte, conhecer o coeficiente de fragilidade de seus produtos e os meios adequados para protege-los, obter informações sobre os métodos de recebimento no destino, enfim oferecer ao seu cliente a garantia que você tomou os cuidados necessários para evitar a ele os dissabores de comprar e não receber os produtos íntegros e na qualidade contratada.
Lembre-se, o menor custo logístico é obtido pela otimização dos custos do sistema logístico como um todo. Desse modo, querer economizar na embalagem, no pálete, e ainda no método de manuseio, poderá ter como conseqüência um custo final maior devido a retrabalhos, reclamações, danos ao produto e perdas futuras de vendas que eliminará toda a economia obtida nos diversos elos da cadeia.
Portanto, ao planejar sua operação, nunca se esqueça: “A otimização das partes não leva necessariamente à otimização do todo”.
E sucesso em suas novas exportações!